Humanização do nascimento

Vamos conversar sobre Parto Humanizado?

Humanização do partoHá alguns anos, no Brasil, temos ouvido o termo “Parto Humanizado”. Mas o que, exatamente, isso quer dizer?
Parto humanizado é parto em casa? É parto na água? É parto sem anestesia? É parto com Doula? É parto de cócoras? Tá na moda?
Nossa, quanta pergunta, Carla! Sim, muitas perguntas. Essas e muitas outras são muito frequentes entre as pessoas, em geral, mas principalmente entre as mulheres e casais grávidos.

Então, vamos conversar um pouco e esclarecer algumas dúvidas a respeito do tal Parto Humanizado.
Dentro do processo histórico, há pouco mais de meio século, o parto, que era visto como um processo natural e fisiológico, começou a ser tratado como um procedimento médico e a mulher grávida, como uma bomba relógio, prestes a explodir.

Por que isso aconteceu? Houve uma mudança de cultura, em que a medicalização e o medo foram tomando conta das pessoas e atingiram em cheio a gestação e o nascimento, que são momentos de uma importância ímpar, na vida das famílias.
Com isso, as mulheres, os bebês e o nascimento passaram a ser tratados em série, como se fossem todos igualmente problemáticos. E como se todos eles precisassem passar por todas as intervenções que existem para poder “dar certo”.

Dentro desse cenário, ouvimos, há muitos anos, histórias tristes que hoje conhecemos como violência obstétrica. Afinal, se somos apenas um número, um protocolo, um procedimento, então, não temos o direito de sentir. Não podemos sentir medo, insegurança  e muito menos prazer. Não podemos “sair do padrão”. Não podemos nos movimentar, comer e, quem dirá, gritar.

Mas, num determinado momento, as mulheres passaram a questionar essa postura, esses protocolos e procedimentos e, ainda mais, exigir respeito e reivindicar para si o protagonismo de seus partos, de seus corpos e suas histórias. E foi aí que “nasceu” a tal humanização do parto.

Portanto, o parto humanizado não é um tipo específico de parto. A humanização do parto tem a ver com o respeito aos desejos e decisões da mulher. É o respeito à mulher como pessoa única, em um momento da sua vida em que necessita de atenção e cuidado. É o respeito, também, à família em formação e ao bebê, que tem direito a um nascimento sadio e harmonioso.

Entendendo esse princípio, podemos dizer que humanizar o nascimento é:
– Reconhecer o parto normal como evento fisiológico que, na maioria das vezes, não precisa de qualquer intervenção.
– Entender que a mulher é capaz de conduzir o processo e é protagonista do seu parto.
– Respeitar a individualidade de cada mulher,  seu processo, seus medos e suas necessidades físicas e emocionais.
– Permitir privacidade, movimentação, alimentação e a escolha da mulher pela melhor posição para o parto.
– Informar a mulher sobre os procedimentos e suas consequências, pedindo autorização para realiza-los.
– Promover ambiente acolhedor e oferecer à mulher os melhores recursos disponíveis para que ela se sinta segura e acolhida.
– Prestar assistência ao parto com base em evidências científicas e não em tradições.
– Garantir a presença de um acompanhante durante todo o tempo.
– Permitir e incentivar contato imediato da mãe com o bebê logo após o nascimento e garantir à dupla mãe-bebê o direito de permanecerem juntos durante todo o período de internação.

Concluindo, o parto humanizado pode acontecer no ambiente que a mulher escolher, inclusive no hospital, na posição em que a mulher se sentir mais confortável. Dentro ou fora da água, com ou sem Doula, com ou sem anestesia, se usada com critério e consciência. Ou seja, o parto é humanizado quando a mulher e suas escolhas são respeitadas.

Moda? De jeito nenhum! É um movimento que iniciou tímido e está crescendo, cada vez mais. E agora, que as mulheres tem informação e consciência, não tem mais como voltar atrás.

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