Toque, vínculo

Shantala, um toque de amor.

O maior desejo de toda mãe e de todo pai é que seu filho cresça capaz de ser feliz. Estudos em todas as culturas do mundo demonstram como o “vínculo mãe e bebê é fundamental para a formação de um adulto feliz, equilibrado, livre e criativo”. Por isso, neste período entre gravidez, nascimento e primeiros anos de vida, tudo deve estar a favor da formação deste vínculo. São muitos os momentos em que o vínculo pode ser estabelecido, mas há alguns mais significativos: através da gestação, do parto, da amamentação e do toque.

Quanto a este último, o toque, a massagem pode ajudar muito. É incalculável como pode ser valioso para você e para seu filho o simples contato de sua pele com a dele. Ao vivenciar seu processo de gravidez de forma consciente, o ser Mãe/Pai, poderá se tornar uma experiência mais rica, mais fácil e mais gostosa. E os pais terão um filho com vínculo fortalecido, o mais valioso presente que alguém pode desejar de seus pais.

Mas o que é vínculo? É a ligação que se estabelece entre a mãe e o bebê. Esta ligação é física, emocional e espiritual. Ela é natural e surge desde a concepção. Você não precisa fazer nenhum esforço, a mãe natureza já planejou tudo. Você só precisa deixar acontecer e fica atenta para as oportunidades de fortalecer este vínculo. A qualidade deste primeiro vínculo vai determinar, em grande parte, a forma como o bebê vai se relacionar com o mundo em toda a sua vida.

Esse é o papel do vínculo, fazer uma ponte entre o conhecido (a barriga da mãe) e o desconhecido (o mundo externo). Se esta ponte estiver bem construída, a passagem de uma situação para a outra é favorecida, o que influenciará profundamente a relação que a criança terá com todas as situações novas que encontrar em sua vida.

O vínculo é o “bem-estar” – na relação mãe-filho – que será vivido pelo resto da vida como a maneira de “estar-bem” no mundo – na relação filho-mundo. O bebê que tem o vínculo fortalecido é feliz, apto para crescer independente e carinhoso. Ele buscará sua satisfação com confiança, aprendendo gradativamente a suportar as frustrações. Estará, com certeza, mais predisposto ao equilíbrio.

Quanto mais forte for o vínculo, mais livre o indivíduo se sente: ele se solta numa situação nova, aprende e se desenvolve a partir das experiências.

O vínculo fraco faz o indivíduo ficar com receio do novo: ele fica preso às experiências passadas e tem dificuldade de se relacionar com pessoas, lugares e situações desconhecidas.
A comunicação por meio do toque é um dos mais poderosos meios de criar relacionamentos humanos. Para o relacionamento mãe e filho, o toque tem importância vital, por que oferece possibilidades de fortalecer o vínculo desde o início da gestação, ajudando no desenvolvimento físico e emocional do bebê.

A sensibilidade ao toque, claramente presente 7 semanas e meia após a concepção, progride regularmente até que, por volta da 17ª semana, quase todo o corpo do bebê reage ao contato. Após o nascimento, o toque torna-se mais valioso ainda, por que o bebê precisa de ajuda para se adequar ao novo ambiente, tão diferente da barriga da mamãe.

Este é um dos grandes benefícios do tocar. Ao envolver o bebê nos braços, no peito, ao dar-lhe apoio e contato, a mãe estará recriando as sensações de conforto e segurança vividas no útero, facilitando sua transição para as novas condições de vida. Segundo estudos e pesquisas da University of Miami, Medical School e da Duke University Madical School, os bebês massageados dormem melhor, ganham mais peso, choram menos, ficam mais ativos e alertas, tornam-se mais conscientes do que os rodeia, toleram melhor os ruídos e ficam mais ligados aos pais.

Uma das mais surpreendentes descobertas é o aumento da imunidade às doenças em crianças que foram tocadas e massageadas por sua mãe. A massagem promove ainda o desenvolvimento do potencial motor, permitindo maior flexibilidade e tonificação dos músculos da pele. A criança massageada é mais descontraída, porque seu organismo exerce suas funções de forma mais equilibrada.

A massagem indicada para os bebês é a Shantala, técnica essa usada há muito tempo na Ìndia. Dela tomamos conhecimento através do Dr. Leboyer, que observou em Calcutá uma mãe massageando seu bebê. Encantado com a beleza e a força do momento, batizou a seqüência de movimentos com o nome daquela mulher: Shantala.

A massagem, hoje, comprovado cientificamente, promove a ampliação da respiração, dá noção de limites corporais, fortalece os músculos e articulações, preparando o bebê para engatinhar e andar. Alivia as tensões entre vértebras, ocasionadas pelo fato de o bebê ficar muito tempo deitado. Proporciona equilíbrio, harmonia e relaxamento para a mãe e o bebê. Antes de ser uma técnica, Shantala é uma arte. É a arte de dar amor.

Maridalva Machado Peixoto Konrad – Massoterapeuta

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