Solidão Materna

Puerpério – Que bicho é esse?

“Me preparei tanto para o parto, mas ninguém me alertou sobre tudo o que viria depois!”. Essa é uma declaração que ouço com muita frequência.

Esqueça os comerciais de margarina e de dia das mães e prepare-se para a maternidade real.

Quer saber o que acontece depois que o seu bebê nasce? Acontece o puerpério. Sem querer assustar, esse é um período muito louco, muito intenso. Às vezes achamos que estamos enlouquecendo. Mas passa. Isso também passa. Aliás, é esse o eterno mantra materno. Do início ao fim.

Esse nome estranho refere-se ao período pós-parto, considerando o tempo que a mulher leva para retornar ao seu “estado normal”. Não tenho certeza se realmente retornamos à normalidade um dia.

É lindo! Tem um bebezinho, tem muito amor, conexão, carinho, leite, visitas… Mas tem insegurança, falta de sono, choro (da mãe e do bebê), palpites, solidão e a culpa, como eu já disse nesse post aqui http://mamain.com.br/category/ser-mae/

É um período de adaptação da dupla mãe-bebê e dessa dupla com a família toda, a nova realidade, o universo. De construção de um relacionamento que não acontece automaticamente, como a maioria de nós espera. É um momento reconstrução da identidade mãe, de muitos questionamentos, novos valores, novas escolhas. De transição de filha para mãe. De se impor com relação às certezas e escolhas da nossa própria mãe.

Alguns autores afirmam que, nesse período, acontece uma regressão emocional da mulher, para que ela fique mais próxima da situação do bebê, que por sua vez tem uma necessidade muito grande de contato físico e atenção, o que, muitas vezes, nos deixa exaustas.

A sociedade nos cobra que retornemos muito rápido ao que éramos antes. Como pessoa, como mulher, como esposa, como profissional. E nós nos cobramos muito também.

Amamentar dá trabalho. Às vezes dói, embora não deva. Cansa. Pode ser muito solitário. Gera insegurança.

Para passar por isso de uma forma mais leve, mais suave, existem alguns caminhos.

– Eu costumo dizer que o melhor meme da internet para a maternidade é “Aceita que dói menos!”. Esse é um momento de entrega. Um momento em que precisamos abdicar de todo o resto para conseguir nos conectar com esse serzinho que acabou de chegar, que precisamos conhecer e entender e por quem nos sentimos tão responsáveis.

Inclua o pai no processo. Faça com que ele participe desse processo e entenda também. A única coisa que o pai não pode fazer, é amamentar. E o ideal é que o pai resolva todo o resto da vida (contas, compras, casa, comida) para que a mãe possa passar por esse momento de entrega com tranquilidade. Se você não tem o pai ao seu lado, procure ter outro aliado, como a sua mãe, irmã ou uma grande amiga.

– Organize a vida antes de o bebê nascer. Programe a alimentação da semana, compre marmitas, peça ajuda.

– Cerque-se de pessoas positivas, que te ajudem de verdade e com amor. Ter uma rede de apoio é essencial. 

– Por falar em apoio, participe de grupos presenciais na sua cidade, rodas de conversa, grupos de facebook e whatsapp que proporcionem uma troca saudável. Faz toda a diferença da vida quando você descobre que isso tudo não acontece só com você.

Grude no bebê, cheire, amasse, lamba a cria. Tudo isso ajuda nessa conexão, faz com o bebê sinta-se amado e aceito. Isso tudo passa muito rápido, eles crescem e a gente nem vê.

Tente ter um tempo só seu, nem que seja para um banho mais demorado, uma volta na quadra, uma refeição tranquila.

Chore, se quiser. Nosso corpo está um turbilhão de hormônios, nossas emoções estão à flor da pele, estamos vivendo todos os sentimentos possíveis ao mesmo tempo.

– Se sentir necessidade, procure ajuda especializada. Consulte sua doula, chame uma consultora em amamentação, fale com o pediatra, o obstetra.

– Lembre-se! Isso também vai passar.

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