Dor do parto

Qual o tamanho da dor do parto?

Revirando uns e-mails, encontrei esse texto que escrevi pro blog Mamíferas em 2009.
Amei reler e achei que vale muito compartilhar com vocês pra ajudar todo mundo a desmistificar a dor do parto.
“Depois de três partos normais (dois deles naturais), depois de muitos olhos arregalados me achando tão corajosa, e de responder a mesma pergunta tantas vezes, resolvi escrever a respeito.
A pergunta é: dor de parto dói muito???
E a minha resposta é: depende.
Depende da sua expectativa, depende da sua experiência, de tudo o que você já ouviu na vida sobre isso, do que você absorveu no seu íntimo, das idéias que aceitou e das que está disposta a abandonar.
Também depende da forma como você encara essa dor, do ambiente em que você está, da forma como é tratada e amparada, e das pessoas que estão perto de você.
No Brasil, a maioria das pessoas vê o parto normal como uma coisa horrivel, uma agressão, até. Principalmente por causa das tantas histórias de parto que ouvimos, recheadas de desrespeito e terrorismo. Mas na verdade, o parto respeitoso é maravilhoso.
No meu primeiro parto, eu estava desinformada, assustada, nas mãos dos profissionais que me assistiam. Me desesperei, aquela dor não passava nunca. Eu queria que ela fosse embora, mas ela não ia. Tomei anestesia, e sofri uma série de intervenções que eu nem imaginava.
Depois disso, algumas fichas foram caindo, a informação conseguiu me tocar onde devia. E ouvi muito sobre o papel da dor do parto. Sobre o fato de as contrações serem ondas que vão e vem. E que elas poderiam ser até prazerosas, dependendo da forma como eu as encarasse.
No segundo parto, eu estava muito bem amparada. E quando pensei em desesperar, o anjo que me acompanhava (alguns chamam de doula) prometeu que não ia durar muito, e que se realmente eu não aguentasse, ela chamaria o anestesista. E me ajudou a mudar de posição, escolher a posição que me deixava mais confortável. E me disse palavras de apoio e força. E me lembrou que aquela dor ia e voltava, e quando ela não estava ali eu poderia relaxar. E tudo foi maravilhoso. A experiência foi fantástica. E meu corpo pode completar seu trabalho de trazer minha filha ao mundo.
E não é que fiquei grávida pela terceira vez? E, dessa vez, resolvi fazer a tal da yoga, que não fiz das outras vezes. E foi muito bom. Foi uma preparação muito além de física. Uma preparação da alma. Não que ela seja indispensável, mas pra mim foi muito bom. Foi ali que eu ouvi sobre relaxar durante as contrações e permitir que o único músculo contraído no meu corpo fosse o útero. E, quando ouvi isso, achei loucura. Mas ouvi a explicação de que quando a gente contrai tudo, tudo dói mais. E fui fazendo experiências durante a gestação com outros tipos de dores, e até mesmo aquelas contraçõezinhas do final da gravidez. E fui constatando que era verdade. Isso fez uma diferença incrível.
Ao longo da gestação, participei de encontros, convivi com mulheres que tinham vivido histórias bonitas, e até incríveis de parto. Assisti a filmes e documentários que tratavam do parto com naturalidade e beleza. Li e reli livros que me deram força.
E quando a hora chegou, tudo foi maravilhoso. Demorou mais do que todo mundo esperava. E a sensação de frustração pela coisa que não ia era imensa. Mas até dela eu lembro com carinho ou saudades, não sei definir muito bem. O ambiente, as pessoas que estavam comigo e me apoiaram, e o respeito que tive durante o último trabalho de parto, foram fundamentais. Lembro com clareza que a cada contração eu me lembrava de relaxar cada pedacinho do meu corpo, às vezes balançar era ótimo, e me concentrar na respiração fazia muito bem também.
Isso não é uma regra. Cada mulher, cada corpo, reage melhor de um jeito.
Mas a dica é encarar a dor como parte do processo que vai trazer seu bebê ao mundo. É tentar lembrar que ela pode ser amenizada com movimentos, companhia, com o toque, com a respiração, com gemidos, com gritos… e sempre, sempre se entregar, deixar acontecer.
Hoje eu digo sem medo de me acharem louca que a dor do parto é a melhor dor que já senti na minha vida. Uma dor que acaba no exato segundo em que o bebê nasce, e da qual a gente não consegue mais lembrar nesse mesmo segundo.
Uma dor que não mata ninguém, apenas engrandece, fortalece. Porque quando a gente acha que não aguenta mais, acha que vai morrer, é porque DE VERDADE está bem no finalzinho.
E a recompensa é o que há de maior, de melhor na vida. Aquele olhar do bebê que acabamos de colocar no mundo é inesquecível, e esse prazer é insuperável.”
Publicado originalmente aqui http://mamiferas.blogspot.com.br/2009/03/sobre-dor-do-parto.html?m=1
Toque carinhoso

A importância do toque para o desenvolvimento saudável da criança.

O toque tem um papel fundamental na vida das pessoas. É através dele que muitas vezes podemos expressar o que estamos sentindo: quando fazemos carinho, quando batemos, quando abraçamos, etc. O contato de pele com pele tem a possibilidade de transmitir mensagens ao outro, sobre como estamos nos sentindo. Os neurotransmissores e nervos levam até o sistema nervoso central a “mensagem enviada” (através do toque) e este (o sistema nervoso central) modula, por meio dos próprios neurotransmissores e nervos e, das células imunitárias cutâneas, o estado da pele. Assim, segundo o dermatologista Azambuja “a pele é o órgão de transformação de estímulos físicos em comunicadores químicos e em estados psicológicos. (…) Um contato terno e amoroso na pele produz a sensação de apoio, consolo, companhia e presença amiga; um contato rude e agressivo faz a pessoa sentir-se rejeitada, desprezada, invadida e provoca-lhe reação de defesa ou raiva”(Azambuja, 2005).
Com base nisso aponta-se a importância do toque para o desenvolvimento global do bebê. Existem muitas pesquisas que apontam os benefícios adquiridos pr bebês que são massageados regularmente e ternamente. Estes ganham mais peso, demonstram um desenvolvimento neurológico melhor, tem menos cólicas e problemas respiratórios, por sentirem mais prazer e ficarem mais alegres tem um aumento na sua imunidade, tem um aumento na produção de hormônios de crescimento, tem menos angústia e um sono melhor, além de outras tantas vantagens. Há também toda a reverberação psicológica, causada nos bebês através do toque. Como para o bebê, no seu início de vida, seu mundo está limitado às suas necessidades corporais, a mãe deve lidar com ele em uma linguagem que este compreenda, assim, segundo Winnicott¹, “ela ama de um modo físico, proporciona contato, calor corporal, movimento e quietude de acordo com as necessidades do bebê” (Winnicott, 2000, p.237). Através disso é possível perceber a função essêncial que o toque terno e amoroso exerce na vida e no desenvolvimento do bebê. Este sente-se querido ou não em função do toque que recebe das pessoas que cuidam dele, e mais tarde, isso interferirá na sua visão de si mesmo, nas suas relações interpessoais, na sua auto estima, entre outras coisas. A pediatra e psicoterapeuta Eva Reich, filha de Wilhelm Reich, criou uma massagem para ajudar no desenvolvimento dos recém-nascidos, chamada de “O toque da borboleta”. Antes mesmo desta, já existia uma técnica milenar utilizada na Índia, chamada de Shantala, que foi trazida ao ocidente pelo obstetra francês Leboyer. Ambas as massagens, tem o objetivo de acalmar o bebê, além de reforçar o vínculo entre ele e sua mãe. O toque deve ser relaxante, prazeroso e agradável para ambos. O contato consiste em toques sutis e (geralmente) circulares no corpo do bebê. É importante atentar para a importância deste ato e deixar alguns preconceitos de lado. Mesmo com todos os estudos e orientações, muitos pesquisadores da atualidade ainda vêem a relação dos pais com seus filhos (no mundo ocidental de forma geral) sendo permeada pelo medo de que as crianças cresçam muito dependentes. Assim, muitos pais ainda pensam que pegar muito o bebê ou deixá-lo muito no colo pode, posteriormente levá-lo a ser uma criança manhosa e mimada. Em resposta a esse comportamento, os pesquisadores dizem que os pais estão no caminho errado: o contato físico e a segurança proporcionada por estes farão das crianças mais seguras no momento em que for necessário haver o afrouxamento dos laços entre elas e os pais, e mais capazes de formar relações maduras quando elas finalmente se tornarem adultas. 1-Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, desenvolveu um ponto de vista psicanalítico diferente do que se apoiava em sua época, a respeito do desenvolvimento dos bebês, e também uma outra forma de trabalhar com eles. Bibliografia AZAMBUJA, Roberto. 2005. Tocar a pele é estímulo vital – in Dermatologia.net. http://www.dermatologia.net/neo/base/psiquismo/poder_do_toque.htm WINNICOTT, D. W. Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000.

fonte: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=411

Amor parterno

‘Carinho’ pode aliviar a dor, diz pesquisa.

Um toque carinhoso pode ajudar a aliviar a dor, ajudar crianças em seu desenvolvimento e auxiliar em tratamentos para depressão, segundo uma pesquisa apresentada nesta semana no Festival de Ciências da Associação Britânica para o Avanço da Ciência, em Liverpool.
Segundo o neurocientista Francis McGlone, da Universidade de Liverpool, um sistema de fibras nervosas presentes na pele responde a toques carinhosos, do mesmo modo que os receptores de dor, e quando estimulado, pode, inclusive, diminuir a atividade nos nervos que transportam a sensação de dor.

O cientista e seus colegas das universidades de Uppsala e Gotemburgo, na Suécia, explicam que há três tipos principais de fibras nervosas na camada exterior da pele. Eles são divididos de acordo com a velocidade com que conduzem – como um fio – as atividades bioelétricas para o cérebro.

Dois desses tipos são chamados de fibras A, e são cobertos por uma camada de gordura (mielina) que atua como um isolamento em volta do fio e contribui para a alta velocidade de condução.

Mas o terceiro tipo, chamado de fibras C, não tem a camada de mielina e tem velocidade mais lenta. As fibras A são responsáveis pelo sinal quase instantâneo, que provoca uma reação por reflexo antes mesmo que o cérebro possa identificar o que houve.

As fibras C, da chamada “segunda dor”, são as que levam a sensação da dor mais profunda e duradoura ao cérebro.

Os cientistas descobriram que também há fibras do tipo C que respondem a estímulos de prazer. E quando elas são estimuladas, a atividade nas fibras condutoras de dor diminui.

Sensibilidade
Segundo a pesquisa, assim como com a dor, algumas partes do corpo são mais sensíveis ao toque do que outras, e a sensação de prazer proporcionada é diferente da obtida quando o carinho é aplicado a áreas sexuais.

Essas fibras levariam o sinal de prazer para a região do cérebro responsável por “recompensas”, e explicaria ainda por que as pessoas gostam de passar cremes, escovar os cabelos e até porque um abraço, ou mesmo a mão no ombro podem ser mais eficientes, no alívio da dor, do que palavras.

Para isolar os nervos responsáveis pelo prazer, os cientistas construíram um “estimulador de tato rotativo” – uma máquina de acariciar voluntários.

“Nós construímos um equipamento muito sofisticado, então, o estímulo (do tato) pode ser repetido bastante”, disse McGone.

“Nós acariciamos a pele (do antebraço, da canela e do rosto) com um pincel em diferentes velocidades e depois pedimos aos voluntários que dissessem o quanto gostaram de cada movimento.”

Ele também inseriu microeletrodos nos nervos da pele, para registrar os sinais nervosos enviados da pele para o cérebro.

Os cientistas concluíram que o carinho apontado como o mais prazeroso era também o que provocava maior resposta nervosa.

Nova dimensão
Os cientistas afirmam que as únicas regiões que não contam com essas fibras são as a palma da mão e a sola do pé, caso contrário, seria difícil o uso de ferramentas, ou mesmo uma caminhada.

A sensação de prazer acrescenta uma quarta dimensão aos sentidos clássicos atribuídos à pele, que incluem o toque, a sensação de temperatura (frio ou quente) e a dor/coceira.

A equipe agora quer estudar uma série de condições clínicas, como depressão e autismo, que sabidamente têm ligações com o tato – a maioria das crianças autistas não gosta de ser abraçada ou acariciada, e muitos pacientes de depressão demonstram sinais claros de falta de cuidado com o corpo.

Os cientistas acreditam até que a depressão possa ter origem em carência de cuidado maternal e experiências ainda na infância de falta de carinho físico e sugerem que o carinho pode ser usada para tratar dores crônicas.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/09/080912_toquedorprazer_ba.shtml

Toque, vínculo

Shantala, um toque de amor.

O maior desejo de toda mãe e de todo pai é que seu filho cresça capaz de ser feliz. Estudos em todas as culturas do mundo demonstram como o “vínculo mãe e bebê é fundamental para a formação de um adulto feliz, equilibrado, livre e criativo”. Por isso, neste período entre gravidez, nascimento e primeiros anos de vida, tudo deve estar a favor da formação deste vínculo. São muitos os momentos em que o vínculo pode ser estabelecido, mas há alguns mais significativos: através da gestação, do parto, da amamentação e do toque.

Quanto a este último, o toque, a massagem pode ajudar muito. É incalculável como pode ser valioso para você e para seu filho o simples contato de sua pele com a dele. Ao vivenciar seu processo de gravidez de forma consciente, o ser Mãe/Pai, poderá se tornar uma experiência mais rica, mais fácil e mais gostosa. E os pais terão um filho com vínculo fortalecido, o mais valioso presente que alguém pode desejar de seus pais.

Mas o que é vínculo? É a ligação que se estabelece entre a mãe e o bebê. Esta ligação é física, emocional e espiritual. Ela é natural e surge desde a concepção. Você não precisa fazer nenhum esforço, a mãe natureza já planejou tudo. Você só precisa deixar acontecer e fica atenta para as oportunidades de fortalecer este vínculo. A qualidade deste primeiro vínculo vai determinar, em grande parte, a forma como o bebê vai se relacionar com o mundo em toda a sua vida.

Esse é o papel do vínculo, fazer uma ponte entre o conhecido (a barriga da mãe) e o desconhecido (o mundo externo). Se esta ponte estiver bem construída, a passagem de uma situação para a outra é favorecida, o que influenciará profundamente a relação que a criança terá com todas as situações novas que encontrar em sua vida.

O vínculo é o “bem-estar” – na relação mãe-filho – que será vivido pelo resto da vida como a maneira de “estar-bem” no mundo – na relação filho-mundo. O bebê que tem o vínculo fortalecido é feliz, apto para crescer independente e carinhoso. Ele buscará sua satisfação com confiança, aprendendo gradativamente a suportar as frustrações. Estará, com certeza, mais predisposto ao equilíbrio.

Quanto mais forte for o vínculo, mais livre o indivíduo se sente: ele se solta numa situação nova, aprende e se desenvolve a partir das experiências.

O vínculo fraco faz o indivíduo ficar com receio do novo: ele fica preso às experiências passadas e tem dificuldade de se relacionar com pessoas, lugares e situações desconhecidas.
A comunicação por meio do toque é um dos mais poderosos meios de criar relacionamentos humanos. Para o relacionamento mãe e filho, o toque tem importância vital, por que oferece possibilidades de fortalecer o vínculo desde o início da gestação, ajudando no desenvolvimento físico e emocional do bebê.

A sensibilidade ao toque, claramente presente 7 semanas e meia após a concepção, progride regularmente até que, por volta da 17ª semana, quase todo o corpo do bebê reage ao contato. Após o nascimento, o toque torna-se mais valioso ainda, por que o bebê precisa de ajuda para se adequar ao novo ambiente, tão diferente da barriga da mamãe.

Este é um dos grandes benefícios do tocar. Ao envolver o bebê nos braços, no peito, ao dar-lhe apoio e contato, a mãe estará recriando as sensações de conforto e segurança vividas no útero, facilitando sua transição para as novas condições de vida. Segundo estudos e pesquisas da University of Miami, Medical School e da Duke University Madical School, os bebês massageados dormem melhor, ganham mais peso, choram menos, ficam mais ativos e alertas, tornam-se mais conscientes do que os rodeia, toleram melhor os ruídos e ficam mais ligados aos pais.

Uma das mais surpreendentes descobertas é o aumento da imunidade às doenças em crianças que foram tocadas e massageadas por sua mãe. A massagem promove ainda o desenvolvimento do potencial motor, permitindo maior flexibilidade e tonificação dos músculos da pele. A criança massageada é mais descontraída, porque seu organismo exerce suas funções de forma mais equilibrada.

A massagem indicada para os bebês é a Shantala, técnica essa usada há muito tempo na Ìndia. Dela tomamos conhecimento através do Dr. Leboyer, que observou em Calcutá uma mãe massageando seu bebê. Encantado com a beleza e a força do momento, batizou a seqüência de movimentos com o nome daquela mulher: Shantala.

A massagem, hoje, comprovado cientificamente, promove a ampliação da respiração, dá noção de limites corporais, fortalece os músculos e articulações, preparando o bebê para engatinhar e andar. Alivia as tensões entre vértebras, ocasionadas pelo fato de o bebê ficar muito tempo deitado. Proporciona equilíbrio, harmonia e relaxamento para a mãe e o bebê. Antes de ser uma técnica, Shantala é uma arte. É a arte de dar amor.

Maridalva Machado Peixoto Konrad – Massoterapeuta

Amamentação

Dicas para o sucesso na amamentação

Amamentar é tudo de bom. A lista de benefícios é enorme. Nem precisamos discutir sobre isso, certo?

As pesquisas mais recentes mostram que 98% das mães começam a amamentar seus bebês, mas apenas 39% conseguem manter a amamentação exclusiva durante os 6 meses, conforme recomendação do Ministério da Saúde e OMS.

Os motivos são muitos e vão desde a falta de preparo de profissionais da saúde para orientar as mães, passando pela ação da indústria, a introdução de bicos artificiais até a falta de confiança da mãe no seu corpo.

A natureza projetou o nosso corpo com as condições perfeitas para amamentar, mas a sociedade está aí, no nosso pé, dizendo que nosso bebê está com fome e precisamos dar fórmulas para satisfazê-la. Além disso, como eu já disse aqui, amamentar é um processo de aprendizado e muitas surpresas com as quais nem sempre sabemos lidar.

Por isso, fiz aqui uma listinha de “itens” importantes para que a amamentação seja bem sucedida, exclusiva durante 6 meses e complementada com outros alimentos até pelo menos 2 anos, como preconizam a OMS e o Ministério da saúde com base em muito estudo e muita pesquisa.

1 – INFORMAÇÃO DE QUALIDADE

Se você está lendo esse texto, imagino que já esteja em busca de informação. Então, meio caminho andado! Informação é sempre o melhor caminho!

Minha dica aqui é para que você busque informação nos lugares certos. Leia livros técnicos e referenciados, procuro instituições sérias, acompanhe sites confiáveis de profissionais capacitados. Muito embora o incentivo ao aleitamento tenha aumentado muito, ainda é preciso tomar cuidado com publicações de revistas, blogs de produtos e marcas, blogs maternos sem fundamentação cientifica, baseados em experiências pessoais e achismos que ainda apresentam muito desserviço à amamentação.

Nesse link você baixa uma cartilha bem bacana produzida pelo SENAC-SP.

Na dúvida, procure um banco de leite ou contate uma consultora de amamentação que, com certeza, estará mais preparada que muito profissional de saúde pra te orientar e tirar suas dúvidas.

2 – PEGA CORRETA

Apesar de a amamentação ser um processo natural, precisa ser aprendido. A gente acha que o bebê vai pegar o peito, o leite vai sair certinho e pronto, deu tudo certo! Na maioria dos casos não é assim que acontece. E eu não falo isso pra te assustar, falo isso pra que você esteja preparada e saiba o que fazer na hora de amamentar.

A pega correta vai garantir que o bebê mame todo o leite necessário para satisfazer a fome e ter energia até a próxima mamada e ainda vai evitar fissuras e dor. Mas que diacho é essa tal de “PEGA CORRETA”?. Uma boa pega acontece quando a mãe está confortável, o bebê está bem posicionado, abre bem a boca e consegue abocanhar toda ou a maior parte da aréola, que é a parte escura ao redor do bico, fica com os lábios virados pra fora (boquinha de peixe), o queixo toca o seio, o nariz fica livre, a bochecha fica redondinha, a mamada não tem barulho de estalos (às vezes o bebê dá uma gemidinha e está tudo bem) e você consegue perceber a orelhinha e a musculatura próxima se movimentando quando o bebê engole o leite.

E como faz pra conseguir isso? Respire, fique tranquila e confortável. O corpo do bebê deve estar de frente pra você. A cabeça deve estar alinhada com a coluna. Segure seu seio com a mão formando um “C”, com o dedo polegar em cima e o indicador e o médio embaixo, bem próximos ao limite da aréola. Toque o nariz do bebê como bico do seio. Isso vai estimular o reflexo de busca e fazer com que ele procure seu seio, levantando a cabeça e abrindo a boca. Faça isso quantas vezes forem necessárias para que ele abra BEM a boca e, quando isso acontecer, pressione (só um pouquinho) a aréola e coloque no fundo da boca do bebê. Se precisar, puxe um pouquinho o queixo do bebê pra baixo.

No começo é difícil. A aréola é grande. A boca do bebê é pequena. Você precisa ter PACIÊNCIA e PERSISTIR. Às vezes escapa e você tem que começar tudo de novo. Às vezes o bebê muda a pega e você tem que começar de novo também. Dá trabalho, mas vale a pena.

Entenda no vídeo abaixo um pouco mais sobre a pega correta.

3 – LIVRE DEMANDA

Nosso corpo é tão incrível que adapta a nossa produção de leite em quantidade e “qualidade” às necessidade do bebê. Não é tecnologia de ponta?

E como isso acontece? Com as alterações hormonais que vão ocorrendo no nosso corpo com o passar do tempo e com a “mensagem” que o nosso bebê passa ao nosso corpo por meio da frequência e duração das mamadas.

Por isso é tão importante amamentar em livre demanda. O corpo do bebê sabe exatamente do que ele precisa. No útero, o bebê recebe alimento constantemente, sem horários pré-estabelecidos e é assim que ele está acostumado a se alimentar. Algumas vezes, ele tem só sede e precisa mamar só um pouquinho para saciá-la. Muitas vezes ele está passando por um pico de crescimento e precisa mamar muito mais para estimular a produção de leite e armazenar mais energia. Outras vezes, ele está adoecendo e precisa de um aporte maior de líquido e anti-corpos, por isso mama mais. Ainda pode acontecer de ele não ter mamado suficiente na mamada anterior e precisar mamar em um curto intervalo de tempo.

E o que é, então, a livre demanda? É amamentar sem rigidez de horário. Abandonar aquela ideia de amamentar de três em três horas durante “x” minutos (nem os pediatras conseguem chegar num consenso com relação a essa duração) e amamentar sempre que o bebê solicita. Precisamos lembrar que o bebê não vem com relógio, que a necessidade de mamar, nem sempre é fome. A livre demanda é especialmente importante nos três primeiros meses, quando a amamentação está se estabelecendo.

A necessidade do bebê vai mudando. No início, tudo é mais conturbado e com o passar do tempo, mãe, bebê e pai vão se ajustando e regulando o ritmo das mamadas, horários de sono e rotina.

Mas, Carla! Isso significa que toda vez que o bebê chorar eu devo oferecer o peito? Não existe nenhum problema nisso. Mas é válido observar o bebê e tentar perceber o motivo do choro. No início é bem mais difícil, mas com o tempo a gente vai entendendo as demandas do filho e consegue aconchegar melhor nas diversas situações sem, necessariamente, dar o peito. Mas se você perceber que é peito que ele quer, de sem restrições e sem medo de acostumar mal. Filho nenhum mama pra sempre. Eu, pelo menos, nunca soube. Permita que o bebê mame tempo suficiente para esvaziar a mama e ofereça a outra. Se ele aceitar, é porque precisa de mais leite.

4 – COLO, MUITO COLO!

Estar com o bebê no colo, em contato pele a pele, entramos em sintonia com o bebê, ajudamos a manter a temperatura corporal, o ritmo respiratório e, principalmente, ficamos muito mais conectadas ao nosso bebê, às suas reações e necessidades.

Carregar o bebê nos ajuda a entender mais rapidamente suas demandas. Além disso, ficamos muito mais disponíveis e permitimos que o bebê procure as mamas sempre que sentir necessidade.

5 -NADA DE BICOS ARTIFICIAIS

Vivemos em meio a uma cultura que associa, automaticamente, bebês a chupetas e mamadeiras, enquanto a natureza, com sua sabedoria, projetou o seio especialmente para a sucção do bebê.

Sugar o seio é totalmente diferente de sugar a mamadeira ou a chupeta. Quando damos bicos artificiais aos nossos filhos, atrapalhamos todo o processo. Ao provocar a confusão de bicos, atrapalhamos a pega do bebê. A pega incorreta ocasiona fissuras, que levam à dor. Também atrapalha a eficácia da sucção, o que leva ao baixo ganho de peso e, tudo isso, ao desmame precoce.

A chupeta ou complementação com mamadeira também interfere na livre demanda e, consequentemente, na regulação da produção de leite, que leva ao baixo ganho de peso e ao desmame precoce.

Além disso, sugar bicos artificiais leva a disfunções no desenvolvimento da musculatura oro-facial, provocando respiração bucal, mordida cruzada, protusão dental, disfunção de ATM e muito mais e ainda aumenta o risco de contaminações.

Na categoria “bicos artificiais” temos também o bico de silicone, que aparece como um inocente facilitador da amamentação, mas que interfere no esvaziamento da mama e na pega o que ocasiona diminuição na produção de leite e tudo o que já vimos sobre pega.

Esse assunto é tão importante que temos, hoje, no Brasil, uma regulamentação para comercialização e anúncio de bicos artificiais.

6 – ACREDITE!

O sucesso da amamentação está MUITO MAIS envolvido com a nossa mente do que com o nosso corpo.

Como eu disse anteriormente, a natureza é sábia e, assim como todos os outros sistemas do nosso corpo, a chance de funcionar direitinho é muito maior do que a chance de dar errado. Mas quando se trata de amamentar, temos uma tendência estranha de achar que estamos TODOS naquele minoria improvável.

O processo de produção e ejeção do leite é prioritariamente hormonal e os hormônios envolvidos tem tudo a ver com as nossas emoções. Por isso, o primeiro passo para minar o aleitamento é duvidar de si mesma.

Já disse e vou repetir, o número de mães que pode amamentar é próximo de 100%, não tem porque duvidar. Acredite, relaxe, fique tranquila, confie em você e no seu corpo, na sabedoria do seu bebê, siga os passos anteriores tudo vai dar certo. 

7 – REDE DE APOIO

Sabemos todos (ou quase) que o pós-parto, ou puerpério, não é um período fácil. Hormônios a milhão, uma pessoa nova (ou mais) pra gente entender, a gente mesma (só que nova) pra gente tentar entender, uma rotina totalmente nova, novas nuances no relacionamento (ou a falta de um), uma lista infinita de coisas de que gente acaba tendo que abdicar (inclusive e principalmente horas de sono), um cansaço sem fim, muitas vezes, solidão.

É muito difícil a gente conseguir passar por isso sozinha. Por isso é ESSENCIAL contar com uma rede de apoio. Cerque-se de pessoas com quem você se afina, jogue limpo, peça ajuda, aceite ajuda. Para se livrar dos pitacos (falei deles aqui) informe-se, empodere-se e saiba impor limites. Você não precisa abrir mão das suas escolhas para receber ajuda.

Mande esse texto e outros que falem da importância da amamentação para sua rede. Faça com que eles entendam a importância de amamentar. Se as pessoas próximas forem aliadas, apoiadoras, as chances de sucesso do aleitamento aumentam muito.

Monte uma força tarefa de amigos para te auxiliar com a organização e limpeza da casa, compras, comida (procure ter sempre preparada e congelada).

Faça do pai seu aliado. Divida com ele os cuidados com o bebê, com a casa, com a rotina do dia a dia. A única coisa que o pai não pode fazer é amamentar. Todo o resto pode e deve contar com a participação dele. Lembre, pai não ajuda, pai participa, faz a parte dele.

Durma quando seu bebê dormir. Durma quando o pai estiver com o bebê. Aproveite pra tomar um banho relaxante, passar um creme. Vá dar uma volta na quadra, comprar um pão na padaria. Tudo isso pode parecer uma bobagem, mas faz toda a diferença pra gente se sentir gente de novo quando está nessa fase inicial.

Mesmo seguindo tudo isso, ainda haverá momentos em que você se sentirá sozinha. Mas assim, você estará mais forte e mais disponível para a amamentação, que exige muita dedicação no início.

8 – GRUPOS DE APOIO

Outro fator importantíssimo para aumentar as chances de sucesso da amamentação é participar de grupos de apoio.

Neles, você encontra uma pessoa com conhecimento para te orientar e acolher, mas, muito mais importante que isso, encontra outras mães que estão passando por outras situação e/ou situações parecidas. Essa troca te proporciona alívio. Com ela você entende lá no íntimo que está tudo normal. Sente-se melhor porque sente-se mais “normal”. E acaba conhecendo outras situações que, se acontecerem com você, já estará preparada.

*Logo em breve deixarei aqui no blog uma lista de grupos de apoio pelo Brasil afora. Mas se quiser indicações antes disso, pode me escrever que eu te respondo.

Se você chegou até aqui, parabéns pelo empenho! Estar bem informada é sempre o melhor caminho contra as armadilhas que encontramos pelo caminho da amamentação.

Se você ainda estiver insegura, não hesite em pedir ajuda. Por ser a alguém próximo, pode ser por aqui. Acredite, temos uma rede incrível de mulheres dispostas a te ajudar.

Toque carinhoso Shantala

TOQUE DE 5 SEGUNDOS PODE COMUNICAR UMA EMOÇÃO

Esse artigo publicado em 12 de agosto de 2009 no Terra notícias e mais outros tantos lugares, mostra como o toque é um recurso importante de comunicação.

E por mais esse motivo, tocar nossos bebês é muito importante.
Através do toque, o bebê percebe todo nosso amor, transmitindo segurança e fortalecendo sua auto estima.

Toque de 5 segundos pode comunicar uma emoção, diz estudo

Pesquisadores descobriram evidências experimentais de que um toque pode significar mil palavras. Ou seja, um rápido contato físico pode expressar emoções – de modo silencioso, sutil e inequívoco. Cientistas liderados por Matthew J. Hertenstein, professor associado de psicologia da Universidade DePauw, recrutaram 248 alunos, que tocariam ou seriam tocados por um parceiro que já conheciam anteriormente tentando comunicar uma emoção específica: raiva, medo, felicidade, tristeza, repulsa, amor, gratidão ou compaixão.

A pessoa tocada era vendada e desconhecia o sexo do parceiro, instruído a tentar expressar uma das oito emoções através do toque, com ambos os participantes permanecendo em silêncio. Entre os participantes, 44 mulheres e 31 homens foram tocados por uma parceira, enquanto 25 homens e 24 mulheres foram tocados por um parceiro.

Depois, cada pessoa tocada recebia uma lista de oito emoções e escolhia aquela expressada pelo toque. Havia também uma nona escolha, “nenhum dos termos estão corretos”, para eliminar a possibilidade de forçar uma escolha de emoção quando nenhuma delas de fato havia sido sentida. Os parceiros foram instruídos a tocar em qualquer parte adequada do corpo e escolheram variadamente tocar cabeça, rosto, braços, mãos, ombros, tronco e costas.

O entendimento correto do toque ficou entre 50% e 78%, muito maior do que os 11% atribuídos ao acaso e comparável a índices vistos em estudos de emoção verbal e facial.

Os pesquisadores também gravaram um vocabulário complexo do toque – uma sacudida, uma esfregada, uma carícia ou um aperto, pequenas mudanças na quantidade de pressão aplicada, variações na brusquidão do toque, mudanças no ritmo com que os dedos se moviam pela pele e diferenças no local e duração do contato.

Tiffany Field, diretora do Instituto de Pesquisa do Toque da Universidade de Miami, ficou impressionada com o trabalho. “Essa informação é muito interessante e acrescenta algo à ciência da emoção e da comunicação.” Mas, ela continuou: “É improvável que usemos o toque como um meio de expressão com estranhos. Ele é reservado a interações íntimas.” Field não esteve envolvida no estudo, que aparecerá na edição de agosto do periódico Emotion.

Os participantes consistentemente escolheram certos tipos de toque para indicar emoções específicas. Várias vezes, ele expressaram medo, por exemplo, abraçando e apertando a pessoa sem se moverem, enquanto a compaixão exigiu abraço, carícia e esfregar das mãos.

Homens e mulheres foram igualmente competentes ao interpretar o toque, mas usaram diferentes ações para comunicar as emoções. Os homens raramente tocaram no rosto, e quando o fizeram, tinham a intenção de expressar raiva ou repulsa por mulheres e compaixão por outros homens. As mulheres, por outro lado, tocaram no rosto frequentemente para expressar raiva, tristeza e repulsa a ambos os sexos, e para comunicar medo e felicidade aos homens.

As razões evolucionárias para tal sistema de comunicação são desconhecidas, mas os autores sugerem que elas podem ter a mesma origem dos rituais sociais de cuidados com a aparência de outros primatas. Os autores reconhecem que seus dados foram limitados a uma amostra de americanos jovens e que diferenças culturais podem ter um papel importante.

Mesmo assim, Hertenstein disse: “Essas descobertas têm fortes implicações para o poder do toque. A maioria dos toques durou apenas cinco segundos, mas, nesses momentos fugazes, somos capazes de comunicar emoções distintas, assim como fazemos através do rosto. Esse é um sofisticado sistema distintivo de sinais que não conhecíamos anteriormente.”

Tradução: Amy Traduções
The New York Times

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3918188-EI8147,00-Toque+de+segundos+pode+comunicar+uma+emocao+diz+estudo.htmlToque carinhoso Shantala

Massagem infantil

Shantala, quando devo fazer?

Muita gente me pergunta quando deve começar a praticar a Shantala e até que idade pode ou deve continuar fazendo a massagem.

Recomenda-se iniciar a Shantala depois que o bebê completa um mês, pois nessa idade ele já regula melhor a temperatura corporal e já passa mais tempo acordado entre uma mamada e outra. Além disso, mãe e bebê já estão mais adaptados à nova vida nesse momento.
Porém, seria um grande desperdício o bebê passar um mês todo sem receber algum tipo de toque carinhoso depois de uma vida toda sendo tocado no corpo inteirinho dentro do útero.
Aproveite cada minuto em que o bebê está tranquilo para tocar seu corpo leve e intuitivamente no início da vida. 
E tem um limite? Não. Você pode massagear o seu bebê enquanto os dois sentirem prazer nessa troca. O ideal é massagear o bebê diariamente pelo menos até os seis meses. É altamente recomendado que estenda essa prática até os dois anos.
A medida que os bebês vão crescendo, é normal que, mesmo as famílias mais disciplinadas, acabem abandonando o hábito e a rotina da Shantala. O bebê fica mais ativo, nossa rotina vai ficando cada vez mais cheia, mas é importante lembrar do valor e dos benefícios do toque afetuoso, do poder da cura através das mãos, independente da idade.
Recém nascido

Crianças precisam de toque e atenção.

Resgatado do blog antigo, fala de toque, de choro, de sono, de acolhimento…
Vale a pena ler!

Recebi de uma amiga por e-mail. Foi traduzido por outra amiga, queridíssima, que faz um trabalho lindo de divulgar e explicar o “Soluções para Noites sem Choro”.
Achei que super vale a pena publicar, porque como disse a amiga que mandou… “É ótimo quando vem um tal estudioso, com título disso e daquilo, dizendo o que a gente já sabia!”

Por Alvin Powell

A atitude de alguns americanos de “deixar o bebê chorar” pode causar medos e lágrimas quando ficarem adultos, de acordo com 2 pesquisadores da Harvard Medical School.

Em vez de deixarem os bebês chorarem, os pais americanos deveriam manter os bebês por perto, consolá-los quando eles choram, e trazê-los para a cama com eles, onde estarão seguros, palavras dos pesquisadores Michael L. Commons e Patrice M. Miller, do Departamento de Psiquiatria da Harvard Medical School.

Os pesquisadores examinaram os métodos de educação nos EUA e em outras culturas. Eles concluíram que a prática muito comum de colocar bebês em camas separadas – até em quartos separados – e não responder rapidamente ao choro deles, pode gerar incidência de stress pós-traumático e disordens de pânico quando essas crianças alcançarem a idade adulta.

A tensão mental resultante da separação, nessa fase da vida deles, causa mudanças nos cérebros dos bebês, fazendo com que quando adultos no futuro sejam mais suscetíveis ao stress, falam Commons e Miller.
“Os pais devem reconhecer que deixarem seus bebês chorar sem necessidade causam permanentes danos ao bebê,” Commons falou. “Muda o sistema nervoso de uma maneira que eles ficam extremamente sensíveis a futuros traumas.”

O trabalho dos pesquisadores da Harvard é único porque leva em consideração várias disciplinas, ou seja, examina a função cerebral, o aprendizado emocional em bebês, e diferenças culturais, comentam Charles R. Figley, diretor do Instituto de Traumatologia da Universidade Estadual da Flórida e editor do “The Journal of Traumatology” .

“É muito raro mas extremamente importante encontrar esse tipo de relatório científico interdisciplinar e multidisciplinar, ” Figley falou. “Leva em consideração diferenças culturais nas respostas emocionais das crianças e as suas habilidades em lidar com stress, incluindo stress resultante de trauma.”

Figley comentou que o trabalho de Commons e Miller iluminou uma rota de estudos futuros e pode ter implicações importantes em todos os esforços dos pais, desde estimular a inteligência das crianças até algumas práticas como circuncisão.

Commons é professor e pesquisador da Medical School’s Department of Psychiatry desde 1987 e membro do Programa em Psiquiatria e Lei do departamento.

Miller é professora do Programa em Psiquiatria e Lei da Universidade desde 1994 e professor assistente de psicologia da Universidade de Salem State College desde 1993. Ela fez mestrado e doutorado em desenvolvimento humano.

Os pesquisadores falam que o jeito da maioria dos americanos (e o mundo ocidental em geral) educar seus filhos é influenciado por vários medos, como o medo de que as crianças cresçam muito dependentes. Em resposta a isso eles dizem que os pais estão no caminho errado: o contato físico e a segurança proporcionada pelos pais farão as crianças MAIS seguras e mais capazaes de formar relações maduras quando elas finalmente se tornarem adultas.

“Nós enfatizamos independência tanto tanto que isso está causando efeitos colaterais negativos,” Miller falou.

Os dois ganharam o centro das atenções em fevereiro, 2003, quando apresentaram as idéias no Congresso da Associação Americana para o Avanço da Ciência, na Philadelphia.

Commons e Miller, usando dados que Miller tinha estudado bastante e tinham sido compilados por Robert A.. LeVine, Roy Edward Larsen (Professor de Educação e Desenvolvimento Humano) comparou as práticas americanas de criar crianças com outras culturas, particularmente o povo “Gusii” do Kenya. Mães Gusii dormem com seus bebês e respondem rapidamente aos seus choros.

“Mães Gusii assistiram vídeos de mães dos EUA. Elas ficaram muito angustiadas em ver quanto tempo levou para essas mães responderem aos bebês chorando” – reportaram Commons e Miller.

O jeito como nós somos educados influencia a sociedade totalmente. Americanos em geral não gostam de ser tocados e se orgulham tanto de serem independentes que chegam ao ponto de se isolarem completamente, mesmo quando estão passando por dificuldades.
Apesar da opinião comum de que bebês devem aprender a ser deixados sozinhos, Miller falou que acredita que muitos pais “enganam”, mantém os bebês no mesmo quarto que eles, pelo menos no começo. Além disso, quando o bebê começa a engatinhar muitos acabam por ir ao quarto dos pais.

Pais americanos não deveriam se preocupar com esse comportamento ou ficar com medo de dar carinho aos bebês. Pais devem se sentir livres para dormir com seus bebês, uma opção é ter um colchão no chão no mesmo quarto, e sempre sempre confortar o bebê quando ele chora.

“Existem muitas maneiras de crescer e ser independente sem ter que sujeitar seus bebês a esse trauma”, diz Commons. “Meu conselho é: mantenha suas crianças seguras, então eles vão crescer confiantes e não terão medo de arriscar.”

Além do medo da dependência, os pesquisadores falaram que outros fatores tem contribuído para a formarção dessa maneira de educar, incluindo o medo de que as crianças interfiram na vida sexual do casal se dividirem o mesmo quarto; os medos dos médicos de que os pais possam rolar sobre os bebês e machucá-los se dormirem na mesma cama. Além disso, a prosperidade crescente nos EUA tem ajudado na separação, pois fornece às famílias as condições econômicas para comprar casas maiores e com quartos separados para as crianças.

O resultado, dizem Commons e Miller, é uma nação que não gosta de tomar conta de seus próprios filhos, uma nação violenta e marcada pelas relações liberadas, não-físicas.

“Eu acho que existe uma grande resistência cultural no modo de criar as crianças”, diz Commons. Mas “castigos e abandono nunca foram bons modos de chegar a pessoas carinhosas, que se preocupam com outros, e independentes. ”

Este artigo, original em inglês, pode ser lido em http://www.news. harvard.edu/ gazette/1998/ 04.09/ChildrenNe edTou.html

Tradução: Andreia Mortensen

Mãe e bebê

Quando nasce um bebê…

Dizem por aí que,  quando nasce um bebê, nasce também uma mãe.

É claro que, quando nos tornamos mães, passamos por uma enorme transformação. Em tudo. Mudamos nossa visão de mundo, nossos valores… tudo.

Mas eu costumo dizer que, quando nasce um bebê, nasce também uma culpa. Enorme. Uma culpa imensa e dolorosa.

Nos sentimos culpadas por tudo. O bebê tem cólica? Só pode ser algo que comemos. O bebê tá chorando muito? Culpa nossa que decidimos dar aquela saidinha e tiramos o bebê da rotina. A criança fez birra? Culpa da mãe, que não dá educação! Culpa! Culpa! Culpa!

E o que a sociedade faz? Reforça o tempo todo que nós realmente somos culpadas por tudo.

E por que eu estou escrevendo isso pra você?

Pra te contar que você pode expiar essa culpa. Já! Depois de três filhas e 12 anos de convivência com muitas mães, trabalhando com Amamentação, Grupos de Gestantes, Shantala e atendendo mães em diversas situações, vejo que somos a melhor mãe que podemos ser, de acordo com nossa história de vida, nossas experiências, nossos aprendizados e nossa bagagem emocional.

Um terceiro filho (filha, o meu caso) certamente deixa tudo mais leve. Hoje, eu me cobro infinitamente menos. E como eu gosto de dividir com outras mães tudo aquilo que me faz bem, escrevi esse texto todo somente pra te dar essa dica: Não se cobre tanto. 

Tenha dentro de si a certeza de que você está fazendo o melhor que pode com aquilo que tem. Ame seu bebê loucamente, ele sentirá isso. Mas não deixe de se respeitar, de respeitar seus limites, de dizer “nãos” pra você e para os outros.

Siga seu coração, sua intuição e seja feliz, que tudo vai dar certo!

Um grande beijo!

Apresentando a Mamain.

É com imenso prazer que, finalmente, coloco esse projeto no ar.

Depois de trabalhar tanto tempo no boca-a-boca, decidi apresentar meu trabalho ao mundo!

Como apresento no link “Quem Sou“, meu nome é Carla Schultz. Sou instrutora de Shantala há 8 anos. Formada no GAMA com a Cris Balzano.

Mãe de 3 meninas lindas. Aquariana. Ativista do Parto, Aleitamento e Babywearing.

Empreendedora. Fundadora da empresa Carinho de Pano, co-fundadora da ONG paulistana de aleitamento materno Matrice e da plataforma Labor Materno de trabalho para mães.

Há muito tempo trabalho com o público materno e é o que realmente gosto de fazer. Meu maior prazer é compartilhar com as mães tudo o que foi bom e fez diferença na minha vida como mãe.

Sempre gostei muito de escrever, já tive alguns blogs pessoais, já contribui para alguns blogs de maternidade e estou muito feliz por colocar no ar esse “espaço”para, além de apresentar meu trabalho, também levar informações para as mães, novas ou não, afinal, a maternidade é sempre uma experiência de tentativas e erros.

Por mais que a gente leia, estude, se informe, cada filho é único e o que ser para você é sempre você que vai decidir e meu papel aqui é apresentar soluções e alternativas de acordo com meu conhecimento e experiência.

Sejam bem-vindos ao meu espaço! É um prazer receber vocês aqui. Espero que possamos promover uma rica troca com esse espaço.