Amamentação

Dicas para o sucesso na amamentação

Amamentar é tudo de bom. A lista de benefícios é enorme. Nem precisamos discutir sobre isso, certo?

As pesquisas mais recentes mostram que 98% das mães começam a amamentar seus bebês, mas apenas 39% conseguem manter a amamentação exclusiva durante os 6 meses, conforme recomendação do Ministério da Saúde e OMS.

Os motivos são muitos e vão desde a falta de preparo de profissionais da saúde para orientar as mães, passando pela ação da indústria, a introdução de bicos artificiais até a falta de confiança da mãe no seu corpo.

A natureza projetou o nosso corpo com as condições perfeitas para amamentar, mas a sociedade está aí, no nosso pé, dizendo que nosso bebê está com fome e precisamos dar fórmulas para satisfazê-la. Além disso, como eu já disse aqui, amamentar é um processo de aprendizado e muitas surpresas com as quais nem sempre sabemos lidar.

Por isso, fiz aqui uma listinha de “itens” importantes para que a amamentação seja bem sucedida, exclusiva durante 6 meses e complementada com outros alimentos até pelo menos 2 anos, como preconizam a OMS e o Ministério da saúde com base em muito estudo e muita pesquisa.

1 – INFORMAÇÃO DE QUALIDADE

Se você está lendo esse texto, imagino que já esteja em busca de informação. Então, meio caminho andado! Informação é sempre o melhor caminho!

Minha dica aqui é para que você busque informação nos lugares certos. Leia livros técnicos e referenciados, procuro instituições sérias, acompanhe sites confiáveis de profissionais capacitados. Muito embora o incentivo ao aleitamento tenha aumentado muito, ainda é preciso tomar cuidado com publicações de revistas, blogs de produtos e marcas, blogs maternos sem fundamentação cientifica, baseados em experiências pessoais e achismos que ainda apresentam muito desserviço à amamentação.

Nesse link você baixa uma cartilha bem bacana produzida pelo SENAC-SP.

Na dúvida, procure um banco de leite ou contate uma consultora de amamentação que, com certeza, estará mais preparada que muito profissional de saúde pra te orientar e tirar suas dúvidas.

2 – PEGA CORRETA

Apesar de a amamentação ser um processo natural, precisa ser aprendido. A gente acha que o bebê vai pegar o peito, o leite vai sair certinho e pronto, deu tudo certo! Na maioria dos casos não é assim que acontece. E eu não falo isso pra te assustar, falo isso pra que você esteja preparada e saiba o que fazer na hora de amamentar.

A pega correta vai garantir que o bebê mame todo o leite necessário para satisfazer a fome e ter energia até a próxima mamada e ainda vai evitar fissuras e dor. Mas que diacho é essa tal de “PEGA CORRETA”?. Uma boa pega acontece quando a mãe está confortável, o bebê está bem posicionado, abre bem a boca e consegue abocanhar toda ou a maior parte da aréola, que é a parte escura ao redor do bico, fica com os lábios virados pra fora (boquinha de peixe), o queixo toca o seio, o nariz fica livre, a bochecha fica redondinha, a mamada não tem barulho de estalos (às vezes o bebê dá uma gemidinha e está tudo bem) e você consegue perceber a orelhinha e a musculatura próxima se movimentando quando o bebê engole o leite.

E como faz pra conseguir isso? Respire, fique tranquila e confortável. O corpo do bebê deve estar de frente pra você. A cabeça deve estar alinhada com a coluna. Segure seu seio com a mão formando um “C”, com o dedo polegar em cima e o indicador e o médio embaixo, bem próximos ao limite da aréola. Toque o nariz do bebê como bico do seio. Isso vai estimular o reflexo de busca e fazer com que ele procure seu seio, levantando a cabeça e abrindo a boca. Faça isso quantas vezes forem necessárias para que ele abra BEM a boca e, quando isso acontecer, pressione (só um pouquinho) a aréola e coloque no fundo da boca do bebê. Se precisar, puxe um pouquinho o queixo do bebê pra baixo.

No começo é difícil. A aréola é grande. A boca do bebê é pequena. Você precisa ter PACIÊNCIA e PERSISTIR. Às vezes escapa e você tem que começar tudo de novo. Às vezes o bebê muda a pega e você tem que começar de novo também. Dá trabalho, mas vale a pena.

Entenda no vídeo abaixo um pouco mais sobre a pega correta.

3 – LIVRE DEMANDA

Nosso corpo é tão incrível que adapta a nossa produção de leite em quantidade e “qualidade” às necessidade do bebê. Não é tecnologia de ponta?

E como isso acontece? Com as alterações hormonais que vão ocorrendo no nosso corpo com o passar do tempo e com a “mensagem” que o nosso bebê passa ao nosso corpo por meio da frequência e duração das mamadas.

Por isso é tão importante amamentar em livre demanda. O corpo do bebê sabe exatamente do que ele precisa. No útero, o bebê recebe alimento constantemente, sem horários pré-estabelecidos e é assim que ele está acostumado a se alimentar. Algumas vezes, ele tem só sede e precisa mamar só um pouquinho para saciá-la. Muitas vezes ele está passando por um pico de crescimento e precisa mamar muito mais para estimular a produção de leite e armazenar mais energia. Outras vezes, ele está adoecendo e precisa de um aporte maior de líquido e anti-corpos, por isso mama mais. Ainda pode acontecer de ele não ter mamado suficiente na mamada anterior e precisar mamar em um curto intervalo de tempo.

E o que é, então, a livre demanda? É amamentar sem rigidez de horário. Abandonar aquela ideia de amamentar de três em três horas durante “x” minutos (nem os pediatras conseguem chegar num consenso com relação a essa duração) e amamentar sempre que o bebê solicita. Precisamos lembrar que o bebê não vem com relógio, que a necessidade de mamar, nem sempre é fome. A livre demanda é especialmente importante nos três primeiros meses, quando a amamentação está se estabelecendo.

A necessidade do bebê vai mudando. No início, tudo é mais conturbado e com o passar do tempo, mãe, bebê e pai vão se ajustando e regulando o ritmo das mamadas, horários de sono e rotina.

Mas, Carla! Isso significa que toda vez que o bebê chorar eu devo oferecer o peito? Não existe nenhum problema nisso. Mas é válido observar o bebê e tentar perceber o motivo do choro. No início é bem mais difícil, mas com o tempo a gente vai entendendo as demandas do filho e consegue aconchegar melhor nas diversas situações sem, necessariamente, dar o peito. Mas se você perceber que é peito que ele quer, de sem restrições e sem medo de acostumar mal. Filho nenhum mama pra sempre. Eu, pelo menos, nunca soube. Permita que o bebê mame tempo suficiente para esvaziar a mama e ofereça a outra. Se ele aceitar, é porque precisa de mais leite.

4 – COLO, MUITO COLO!

Estar com o bebê no colo, em contato pele a pele, entramos em sintonia com o bebê, ajudamos a manter a temperatura corporal, o ritmo respiratório e, principalmente, ficamos muito mais conectadas ao nosso bebê, às suas reações e necessidades.

Carregar o bebê nos ajuda a entender mais rapidamente suas demandas. Além disso, ficamos muito mais disponíveis e permitimos que o bebê procure as mamas sempre que sentir necessidade.

5 -NADA DE BICOS ARTIFICIAIS

Vivemos em meio a uma cultura que associa, automaticamente, bebês a chupetas e mamadeiras, enquanto a natureza, com sua sabedoria, projetou o seio especialmente para a sucção do bebê.

Sugar o seio é totalmente diferente de sugar a mamadeira ou a chupeta. Quando damos bicos artificiais aos nossos filhos, atrapalhamos todo o processo. Ao provocar a confusão de bicos, atrapalhamos a pega do bebê. A pega incorreta ocasiona fissuras, que levam à dor. Também atrapalha a eficácia da sucção, o que leva ao baixo ganho de peso e, tudo isso, ao desmame precoce.

A chupeta ou complementação com mamadeira também interfere na livre demanda e, consequentemente, na regulação da produção de leite, que leva ao baixo ganho de peso e ao desmame precoce.

Além disso, sugar bicos artificiais leva a disfunções no desenvolvimento da musculatura oro-facial, provocando respiração bucal, mordida cruzada, protusão dental, disfunção de ATM e muito mais e ainda aumenta o risco de contaminações.

Na categoria “bicos artificiais” temos também o bico de silicone, que aparece como um inocente facilitador da amamentação, mas que interfere no esvaziamento da mama e na pega o que ocasiona diminuição na produção de leite e tudo o que já vimos sobre pega.

Esse assunto é tão importante que temos, hoje, no Brasil, uma regulamentação para comercialização e anúncio de bicos artificiais.

6 – ACREDITE!

O sucesso da amamentação está MUITO MAIS envolvido com a nossa mente do que com o nosso corpo.

Como eu disse anteriormente, a natureza é sábia e, assim como todos os outros sistemas do nosso corpo, a chance de funcionar direitinho é muito maior do que a chance de dar errado. Mas quando se trata de amamentar, temos uma tendência estranha de achar que estamos TODOS naquele minoria improvável.

O processo de produção e ejeção do leite é prioritariamente hormonal e os hormônios envolvidos tem tudo a ver com as nossas emoções. Por isso, o primeiro passo para minar o aleitamento é duvidar de si mesma.

Já disse e vou repetir, o número de mães que pode amamentar é próximo de 100%, não tem porque duvidar. Acredite, relaxe, fique tranquila, confie em você e no seu corpo, na sabedoria do seu bebê, siga os passos anteriores tudo vai dar certo. 

7 – REDE DE APOIO

Sabemos todos (ou quase) que o pós-parto, ou puerpério, não é um período fácil. Hormônios a milhão, uma pessoa nova (ou mais) pra gente entender, a gente mesma (só que nova) pra gente tentar entender, uma rotina totalmente nova, novas nuances no relacionamento (ou a falta de um), uma lista infinita de coisas de que gente acaba tendo que abdicar (inclusive e principalmente horas de sono), um cansaço sem fim, muitas vezes, solidão.

É muito difícil a gente conseguir passar por isso sozinha. Por isso é ESSENCIAL contar com uma rede de apoio. Cerque-se de pessoas com quem você se afina, jogue limpo, peça ajuda, aceite ajuda. Para se livrar dos pitacos (falei deles aqui) informe-se, empodere-se e saiba impor limites. Você não precisa abrir mão das suas escolhas para receber ajuda.

Mande esse texto e outros que falem da importância da amamentação para sua rede. Faça com que eles entendam a importância de amamentar. Se as pessoas próximas forem aliadas, apoiadoras, as chances de sucesso do aleitamento aumentam muito.

Monte uma força tarefa de amigos para te auxiliar com a organização e limpeza da casa, compras, comida (procure ter sempre preparada e congelada).

Faça do pai seu aliado. Divida com ele os cuidados com o bebê, com a casa, com a rotina do dia a dia. A única coisa que o pai não pode fazer é amamentar. Todo o resto pode e deve contar com a participação dele. Lembre, pai não ajuda, pai participa, faz a parte dele.

Durma quando seu bebê dormir. Durma quando o pai estiver com o bebê. Aproveite pra tomar um banho relaxante, passar um creme. Vá dar uma volta na quadra, comprar um pão na padaria. Tudo isso pode parecer uma bobagem, mas faz toda a diferença pra gente se sentir gente de novo quando está nessa fase inicial.

Mesmo seguindo tudo isso, ainda haverá momentos em que você se sentirá sozinha. Mas assim, você estará mais forte e mais disponível para a amamentação, que exige muita dedicação no início.

8 – GRUPOS DE APOIO

Outro fator importantíssimo para aumentar as chances de sucesso da amamentação é participar de grupos de apoio.

Neles, você encontra uma pessoa com conhecimento para te orientar e acolher, mas, muito mais importante que isso, encontra outras mães que estão passando por outras situação e/ou situações parecidas. Essa troca te proporciona alívio. Com ela você entende lá no íntimo que está tudo normal. Sente-se melhor porque sente-se mais “normal”. E acaba conhecendo outras situações que, se acontecerem com você, já estará preparada.

*Logo em breve deixarei aqui no blog uma lista de grupos de apoio pelo Brasil afora. Mas se quiser indicações antes disso, pode me escrever que eu te respondo.

Se você chegou até aqui, parabéns pelo empenho! Estar bem informada é sempre o melhor caminho contra as armadilhas que encontramos pelo caminho da amamentação.

Se você ainda estiver insegura, não hesite em pedir ajuda. Por ser a alguém próximo, pode ser por aqui. Acredite, temos uma rede incrível de mulheres dispostas a te ajudar.

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