Solidão Materna

Puerpério – Que bicho é esse?

“Me preparei tanto para o parto, mas ninguém me alertou sobre tudo o que viria depois!”. Essa é uma declaração que ouço com muita frequência.

Esqueça os comerciais de margarina e de dia das mães e prepare-se para a maternidade real.

Quer saber o que acontece depois que o seu bebê nasce? Acontece o puerpério. Sem querer assustar, esse é um período muito louco, muito intenso. Às vezes achamos que estamos enlouquecendo. Mas passa. Isso também passa. Aliás, é esse o eterno mantra materno. Do início ao fim.

Esse nome estranho refere-se ao período pós-parto, considerando o tempo que a mulher leva para retornar ao seu “estado normal”. Não tenho certeza se realmente retornamos à normalidade um dia.

É lindo! Tem um bebezinho, tem muito amor, conexão, carinho, leite, visitas… Mas tem insegurança, falta de sono, choro (da mãe e do bebê), palpites, solidão e a culpa, como eu já disse nesse post aqui http://mamain.com.br/category/ser-mae/

É um período de adaptação da dupla mãe-bebê e dessa dupla com a família toda, a nova realidade, o universo. De construção de um relacionamento que não acontece automaticamente, como a maioria de nós espera. É um momento reconstrução da identidade mãe, de muitos questionamentos, novos valores, novas escolhas. De transição de filha para mãe. De se impor com relação às certezas e escolhas da nossa própria mãe.

Alguns autores afirmam que, nesse período, acontece uma regressão emocional da mulher, para que ela fique mais próxima da situação do bebê, que por sua vez tem uma necessidade muito grande de contato físico e atenção, o que, muitas vezes, nos deixa exaustas.

A sociedade nos cobra que retornemos muito rápido ao que éramos antes. Como pessoa, como mulher, como esposa, como profissional. E nós nos cobramos muito também.

Amamentar dá trabalho. Às vezes dói, embora não deva. Cansa. Pode ser muito solitário. Gera insegurança.

Para passar por isso de uma forma mais leve, mais suave, existem alguns caminhos.

– Eu costumo dizer que o melhor meme da internet para a maternidade é “Aceita que dói menos!”. Esse é um momento de entrega. Um momento em que precisamos abdicar de todo o resto para conseguir nos conectar com esse serzinho que acabou de chegar, que precisamos conhecer e entender e por quem nos sentimos tão responsáveis.

Inclua o pai no processo. Faça com que ele participe desse processo e entenda também. A única coisa que o pai não pode fazer, é amamentar. E o ideal é que o pai resolva todo o resto da vida (contas, compras, casa, comida) para que a mãe possa passar por esse momento de entrega com tranquilidade. Se você não tem o pai ao seu lado, procure ter outro aliado, como a sua mãe, irmã ou uma grande amiga.

– Organize a vida antes de o bebê nascer. Programe a alimentação da semana, compre marmitas, peça ajuda.

– Cerque-se de pessoas positivas, que te ajudem de verdade e com amor. Ter uma rede de apoio é essencial. 

– Por falar em apoio, participe de grupos presenciais na sua cidade, rodas de conversa, grupos de facebook e whatsapp que proporcionem uma troca saudável. Faz toda a diferença da vida quando você descobre que isso tudo não acontece só com você.

Grude no bebê, cheire, amasse, lamba a cria. Tudo isso ajuda nessa conexão, faz com o bebê sinta-se amado e aceito. Isso tudo passa muito rápido, eles crescem e a gente nem vê.

Tente ter um tempo só seu, nem que seja para um banho mais demorado, uma volta na quadra, uma refeição tranquila.

Chore, se quiser. Nosso corpo está um turbilhão de hormônios, nossas emoções estão à flor da pele, estamos vivendo todos os sentimentos possíveis ao mesmo tempo.

– Se sentir necessidade, procure ajuda especializada. Consulte sua doula, chame uma consultora em amamentação, fale com o pediatra, o obstetra.

– Lembre-se! Isso também vai passar.

Toque afetivo

O Poder do Toque

Até há pouco tempo, gestos como um afago ou um tapinha nas costas eram ignorados pela ciência.

“ Tocar pode significar dar vida”, dizia o mestre renascentista Michelangelo Buonarroti. Na célebre pintura do artista italiano, no teto da Capela Cistina, no Vaticano, A Criação de Adão, Deus insufla vida ao primeiro homem tocando seu dedo indicador. Para os cientistas, entretanto, o toque nunca havia despertado muito interesse. Um tapinha nas costas ou uma carícia no braço são, em geral, colocados na relação de gestos incidentais como franzir a testa ou apoiar o queixo na mão. Na verdade, não são.

Estudos recentes demonstram que o toque é muito mais importante do que se imagina. Ele é fundamental, por exemplo, na comunicação humana, no estreitamento de relações e na saúde. “(O toque) é a primeira linguagem que aprendemos e nosso mais rico meio de expressão emocional através da vida”, diz o norte-americano Dacher Keltner, professor de psicologia da Universidade da Califórnia, Berkeley, um dos mais renomados pesquisadores da área.

O antigo menosprezo em relação ao toque provavelmente tem raízes no modo como cada cultura o vê. Os primatas passam entre 10% e 20% de seu tempo de vigília afagando a pele ou os pelos de outros membros de sua comunidade, porque o exercício é um meio importante para construírem relacionamentos de cooperação. Entre os parentes humanos, porém, esses índices são bem mais variáveis. Norte-americanos e ingleses, por exemplo, quase não se tocam, enquanto povos de origem latina, como brasileiros e italianos, tocam-se muito.

Nos anos 1960, o psicólogo canadense Sidney Jourard já salientava essas diferenças ao estudar conversas entre amigos de várias partes do mundo.

Animais lambidos e acariciados pelas mães, na infância, se mostram mais calmos e resilientes diante de fatores de estresse na fase adulta, além de exibirem um sistema imunológico mais forte.

Os ingleses que ele observou, por exemplo, não se tocaram nenhuma vez; os norte-americanos, duas. Já os franceses tocaram um ao outro 110 vezes por hora e os porto-riquenhos, 180 vezes por hora. Em inglês, a recorrente expressão “don’t touch me” (não me toque) é considerada um indicador do caráter reservado dos anglo-saxônicos.

Não tocar o outro ou tocá-lo pouco não impede, é claro, as sociedades de atingirem um estágio adiantado de desenvolvimento, como a inglesa e a norte-americana são exemplos. Mas a ciência moderna mostra que o toque é muito benéfico – algo observável já no início da vida. Segundo um estudo da médica norte-americana Tiffany Field, diretora do Instituto de Pesquisas do Toque da Universidade de Miami, bebês prematuros que receberam três sessões diárias de 15 minutos de massagem terapêutica (o processo pelo qual vários tipos de toques e carícias são aplicados no corpo para melhorar a saúde e aumentar o bemestar), por um período de cinco a dez dias, ganharam 47% de peso a mais do que aqueles cujo tratamento seguiu o roteiro tradicional.

Uma pesquisa com ratos, feita pela psicóloga norte-americana Darlene Francis e pelo psiquiatra canadense Michael Meaney, revela que os animais muito lambidos e acariciados pelas mães, na infância, se mostram mais calmos e resilientes diante de fatores de estresse na fase adulta, além de exibirem um sistema imunológico mais forte.

Segundo Keltner, é bem possível que esteja aí a explicação de por que os bebês humanos deixados em orfanatos e privados de contato físico não atingem as medidas esperadas de altura e peso e apresentam problemas comportamentais ao longo da vida. “Contato físico insuficiente durante o crescimento pode estar relacionado ao risco de depressão em idade adulta”, reforça o neurocientista inglês Francis McGlone.

O poder calmante do toque foi documentado num estudo com mulheres conduzido pelos neurocientistas norteamericanos James Coan, Richard Davidson e Hillary Schaefer, da Universidade da Virgínia. As participantes foram colocadas num aparelho de ressonância magnética funcional e, avisadas de que ouviriam uma explosão seguida de “ruído branco” (tipo de barulho produzido pela combinação simultânea de sons de todas as frequências), apresentaram uma atividade intensa nas áreas do cérebro relacionadas a ameaça e estresse. Nada disso aconteceu, entretanto, com as participantes cuja mão era segurada por seu parceiro. O toque parece ter desativado a reação de medo nessas voluntárias.

As massagens feitas entre os membros de um casal podem render ainda mais dividendos, segundo estudos de Tif fany Field. Além da redução da dor, as vantagens incluem o alívio da depressão e o fortalecimento dos laços afetivos.

Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, Berkeley, conduzida pelo norte-americano Matt Hertenstein (hoje professor de psicologia na DePauw University) e com a participação de Keltner, investigou se os humanos podiam comunicar claramente emoções, como a compaixão, por meio do toque. Os pesquisadores montaram no laboratório uma divisória que separava dois voluntários, um desconhecido do outro. Enquanto um deles punha seu braço num espaço específico aberto na divisória, e aguardava, a pessoa do outro lado recebia uma lista de emoções, que devia transmitir uma a uma por meio de um toque de um segundo no antebraço do parceiro.

Segundo Keltner, dado o número de emoções em exame, as probabilidades de adivinhar a alternativa certa pelo acaso eram de cerca de 8%. “Mas, notavelmente, os participantes adivinharam a compaixão corretamente, cerca de 60% do tempo”, disse. Gratidão, raiva, amor e medo também tiveram índices de acerto acima dos 50%. Percebeu-se ainda que as pessoas não apenas identificam a gratidão, a compaixão e o amor transmitidos pelo toque como podem também diferenciar os tipos de toque usados com essa finalidade.

“Costumávamos pensar que o toque servia apenas para intensificar as emoções comunicadas”, afirmou Hertenstein. “Agora, nós o vemos como um sistema de sinalização muito mais diferenciado do que havíamos imaginado.” Esse e outros estudos levaram Keltner a concluir que o toque é uma linguagem primordial da compaixão e uma ferramenta básica para disseminá-la.

Toques solidários com as mãos, abraços e peitadas são frequentes entre os campeões de basquete do Los Angeles Lakers.

Responsabilidade partilhada

Quando relaxadas, as áreas pré-frontais do cérebro tornam-se liberadas para executar uma de suas funções primárias: a resolução de problemas. Segundo o psicólogo norte-americano James Coan, da Universidade da Virgínia, o toque que sugere apoio leva o cérebro a trabalhar nesse sentido, por ser entendido pelo corpo como a informação de que alguém está ali para ajudar. “Pensamos que os humanos constroem relacionamentos precisamente por essa razão, distribuir a resolução de problemas pelos cérebros”, afirmou Coan ao jornal The New York Times. “Estamos conectados para literalmente partilhar a carga de processamento. Esse é o sinal que obtemos quando recebemos apoio por meio do toque.”

O toque tem um potencial, na saúde, que vai muito além do simples relaxamento. Só recentemente se começou a dedicar mais atenção a essa área. Já se sabe que um toque carinhoso básico acalma o estresse cardiovascular e ativa o nervo vago, diretamente ligado à resposta compassiva da pessoa. Tocar pacientes com a doença de Alzheimer lhes dá grandes benefícios em termos de relaxamento, redução da depressão e estabelecimento de conexões emocionais com outras pessoas.

De acordo com Tiffany, a massagem terapêutica reduz o cortisol, hormônio ligado ao estresse, e aumenta a produção de dois neurotransmissores, a dopamina (que estimula a atividade do sistema nervoso central) e a serotonina (responsável, entre outras funções, pela liberação de diversos hormônios e associada ao estado de felicidade).

No Instituto de Pesquisas do Toque, Tiffany tem feito diversas experiências de massagem terapêutica em pacientes com os mais variados problemas de saúde. “Não há uma única condição que tenhamos observado – incluindo o câncer – que não tenha respondido positivamente à massagem”, afirma. Nos estudos ela constatou que a massagem terapêutica alivia problemas autoimunes (amplia a função pulmonar em casos de asma e reduz os níveis de glicose na diabete) e aumenta a função imune (por exemplo, eleva o número de células de defesa em pessoas com HIV ou com câncer). Ela descobriu ainda que crianças autistas (as quais, segundo se acreditava, detestam ser tocadas) adoram ser massageadas pelos pais ou por um terapeuta.

O toque também ajuda a deixar as pessoas mais alertas e melhora seu desempenho. Um estudo da Universidade da Califórnia, Berkeley, publicado em 2010 na revista Emotion, avaliou se há uma relação entre as vitórias dos times da National Basketball Association (NBA, a liga norte-americana de basquete) e os toques entre jogadores.

Os pesquisadores descobriram que dois dos times de melhor rendimento – o Boston Celtics e o Los Angeles Lakers – eram os líderes em toques entre jogadores (foram considerados toques o bater de mãos espalmadas, os abraços e as peitadas). Já as duas equipes nas quais os jogadores menos se tocavam, o Sacramento Kings e o Charlotte Bobcats, tiveram desempenho medíocre.

A educação é outra área que pode se beneficiar do toque. Em um estudo do psicólogo francês Nicolas Gueguen, abordado em artigo publicado na revista Journal of Social Psychology, estudantes tocados no antebraço pelo professor evoluíram em termos de comportamento e produtividade, na comparação com os colegas não tocados. Gueguen verificou ainda que, quando os professores dão tapinhas amigáveis em alunos, estes ficam três vezes mais propensos a participar ativamente da aula.

Para Dacher Keltner, as pesquisas confirmam que existe uma conexão com um nível físico básico que deve ser exercitada. A princípio, ela não tem contraindicações e sua crescente lista de vantagens é cada vez mais lastreada em dados científicos, sem subjetivismos psicológicos. Quando alguém afirma a Tiffany Field que a massagem que ela e sua equipe aplicam é bemsucedida porque “faz a pessoa se sentir bem”, a médica não deixa por menos: “Ora! A massagem funciona porque muda toda a sua fisiologia.”

“Não há uma única condição de saúde que tenhamos observado – incluindo o câncer – que não tenha respondido positivamente à massagem”, afirma a médica Tiffany Field, da Universidade de Miami.

A rota orgânica do toque

O neurocientista inglês Francis McGlone, da área de pesquisa e desenvolvimento da multinacional Unilever, e uma equipe da Universidade de Gotemburgo (Suécia) descobriram, em 2008, uma fibra nervosa, a fibra-C, que responde pela sensação de prazer originária de um toque agradável. Uma vez ativada, essa fibra leva a sensação ao córtex órbito-frontal (a área do cérebro que regula as emoções e está relacionada aos sistemas de recompensa e compaixão), o que causa a liberação de hormônios ligados ao bem-estar.

Entre eles está a oxitocina, o “hormônio do amor”, que, além de influenciar no estabelecimento e na manutenção de relacionamentos, estimula a confiança e reduz os níveis do cortisol, o hormônio do estresse.

McGlone ressalta que as fibras-C não têm relação com o prazer experimentado ao se friccionar órgãos sexuais, nem com as palmas das mãos ou as solas dos pés. Segundo o neurocientista, a fórmula perfeita para um toque carinhoso é fazê-lo numa extensão entre quatro e cinco centímetros de comprimento por segundo, aplicando dois gramas de pressão por centímetro quadrado.

McGlone salienta ainda que as mensagens de prazer originárias do toque seguem da pele para o cérebro por fibras nervosas similares às que enviam a sensação de dor – o que explicaria, por exemplo, por que um estímulo de dor é aliviado quando a região em que surge é imediatamente massageada ou acariciada.

N° Edição: 466 Texto: Por Eduardo Araia 01/07/2011
Texto: eduardoaraia@planetanaweb.com.br

massagem shantala

Qual o óleo ideal para Shantala?

O óleo utilizado durante a massagem tem função de deslizar as mãos sobre a pele do bebê, reduzindo o atrito e o desconforto.
A constante regeneração celular da pele do bebê permite que – através da prática regular de massagens com óleos adequados – as células mortas sejam removidas, mantendo a pele do bebê macia e hidratada, com um brilho saudável.
A escolha do óleo é muito importante, pois a pele do bebê é muito delicada e sensível e tem uma alta capacidade de absorção.
Recomenda-se apenas o uso de óleo vegetal, que deve ser puro e se possível de origem orgânica.
Óleos minerais ou perfumados podem causar alergia aos bebês. Os óleos minerais são extraidos do petroleo e tendem a causar ressecamento e alergia, além de não haver estudos suficientes que comprovem a segurança de aplicar esse tipo de produto com frequência sobre a pele do bebê.
Geralmente os óleos comerciais encontrados em farmácias ou supermercados são se origem mineral. Evite. Confira sempre no rótulo e na dúvida de preferência aos óleos encontrados em farmácias naturais ou de manipulação.
Minha regra de ouro é: “Pode comer? Pode passar na pele do bebê”.
Na Índia, utiliza-se tradicionalmente o óleo de coco no verão, pois esse é um óleo bastante refrescante e o óleo de oliva no inverno, pois ele tende a aquecer.

Seguem abaixo alguns óleos básicos para massagem, fáceis de encontrar:
Semente de uva: Famoso pela pureza, facilidade de absorção e alto poder de hidratação;
Amêndoas doces: Leve, porém ligeiramente mais denso, aquece ao ser friccionado. Atenção! O óleo de Amêndoas puro não tem cheiro.
Oliva: Mais pesado e recomendado para peles secas, também é um óleo que aquece e que nao costuma agradar nosso “nariz ocidental”.
Girassol (orgânico): Fino e ideal para bebês prematuros.
Coco: Deve ser puro e, de preferência, extra-virgem. Tende a ficar pastoso em temperaturas menores. É altamente nutritivo e de fácil absorção da pele.

Além disso pode-se usar óleos essênciais para potencializar o valor terapêutico da massagem. São óleos naturais extremamente refinados e concentrados que possuem o aroma e as propriedades terapêuticas da planta.
Nunca devem ser usados puros diretamente na pele. Deve-se diluir algumas gotas no óleo básico. A quantidade depende do óleo essencial.
Atenção! Essência não é óleo essencial e não deve ser usada sobre a pele do bebê.

Os meus preferidos são:
Laranja doce: É considerado o Óleo Essencial das crianças. Relaxa e acalma a agitação infantil. Conduz a um sono profundo e reparador. Digestivo e estimulante do apetite, auxilia crianças com dificuldades em se alimentar.
Lavanda: Calmante e descongestionante do peito e nariz.  Anti-depressivo. Relaxa, tranquiliza e acalma. Cria uma atmosfera pacífica, segura e conciliadora, incentivando a ternura e amorosidade. Combate insegurança, carência afetiva e insônia. Antialérgico e antisséptico, útil em alergias, picadas de insetos, queimaduras, ferimentos e irritação cutânea. Pela amplitude de sua ação é o “Rescue da Aromaterapia”.
Camomila: Calmante e suavizante, este óleo auxilia a digestão e acalma as irritações. Anti-inflamatório. Pode ser aplicado em alergias, coceiras e reações alérgicas da pele por efeitos colaterais de medicamentos.

Fontes: http://terra-flor.com
A Bíblia da Aromaterapia: o guia definitivo para uso terapêutico dos óleos essenciais. Gill Farrer-Halls. Editora Pensamento.

 

Dor do parto

Qual o tamanho da dor do parto?

Revirando uns e-mails, encontrei esse texto que escrevi pro blog Mamíferas em 2009.
Amei reler e achei que vale muito compartilhar com vocês pra ajudar todo mundo a desmistificar a dor do parto.
“Depois de três partos normais (dois deles naturais), depois de muitos olhos arregalados me achando tão corajosa, e de responder a mesma pergunta tantas vezes, resolvi escrever a respeito.
A pergunta é: dor de parto dói muito???
E a minha resposta é: depende.
Depende da sua expectativa, depende da sua experiência, de tudo o que você já ouviu na vida sobre isso, do que você absorveu no seu íntimo, das idéias que aceitou e das que está disposta a abandonar.
Também depende da forma como você encara essa dor, do ambiente em que você está, da forma como é tratada e amparada, e das pessoas que estão perto de você.
No Brasil, a maioria das pessoas vê o parto normal como uma coisa horrivel, uma agressão, até. Principalmente por causa das tantas histórias de parto que ouvimos, recheadas de desrespeito e terrorismo. Mas na verdade, o parto respeitoso é maravilhoso.
No meu primeiro parto, eu estava desinformada, assustada, nas mãos dos profissionais que me assistiam. Me desesperei, aquela dor não passava nunca. Eu queria que ela fosse embora, mas ela não ia. Tomei anestesia, e sofri uma série de intervenções que eu nem imaginava.
Depois disso, algumas fichas foram caindo, a informação conseguiu me tocar onde devia. E ouvi muito sobre o papel da dor do parto. Sobre o fato de as contrações serem ondas que vão e vem. E que elas poderiam ser até prazerosas, dependendo da forma como eu as encarasse.
No segundo parto, eu estava muito bem amparada. E quando pensei em desesperar, o anjo que me acompanhava (alguns chamam de doula) prometeu que não ia durar muito, e que se realmente eu não aguentasse, ela chamaria o anestesista. E me ajudou a mudar de posição, escolher a posição que me deixava mais confortável. E me disse palavras de apoio e força. E me lembrou que aquela dor ia e voltava, e quando ela não estava ali eu poderia relaxar. E tudo foi maravilhoso. A experiência foi fantástica. E meu corpo pode completar seu trabalho de trazer minha filha ao mundo.
E não é que fiquei grávida pela terceira vez? E, dessa vez, resolvi fazer a tal da yoga, que não fiz das outras vezes. E foi muito bom. Foi uma preparação muito além de física. Uma preparação da alma. Não que ela seja indispensável, mas pra mim foi muito bom. Foi ali que eu ouvi sobre relaxar durante as contrações e permitir que o único músculo contraído no meu corpo fosse o útero. E, quando ouvi isso, achei loucura. Mas ouvi a explicação de que quando a gente contrai tudo, tudo dói mais. E fui fazendo experiências durante a gestação com outros tipos de dores, e até mesmo aquelas contraçõezinhas do final da gravidez. E fui constatando que era verdade. Isso fez uma diferença incrível.
Ao longo da gestação, participei de encontros, convivi com mulheres que tinham vivido histórias bonitas, e até incríveis de parto. Assisti a filmes e documentários que tratavam do parto com naturalidade e beleza. Li e reli livros que me deram força.
E quando a hora chegou, tudo foi maravilhoso. Demorou mais do que todo mundo esperava. E a sensação de frustração pela coisa que não ia era imensa. Mas até dela eu lembro com carinho ou saudades, não sei definir muito bem. O ambiente, as pessoas que estavam comigo e me apoiaram, e o respeito que tive durante o último trabalho de parto, foram fundamentais. Lembro com clareza que a cada contração eu me lembrava de relaxar cada pedacinho do meu corpo, às vezes balançar era ótimo, e me concentrar na respiração fazia muito bem também.
Isso não é uma regra. Cada mulher, cada corpo, reage melhor de um jeito.
Mas a dica é encarar a dor como parte do processo que vai trazer seu bebê ao mundo. É tentar lembrar que ela pode ser amenizada com movimentos, companhia, com o toque, com a respiração, com gemidos, com gritos… e sempre, sempre se entregar, deixar acontecer.
Hoje eu digo sem medo de me acharem louca que a dor do parto é a melhor dor que já senti na minha vida. Uma dor que acaba no exato segundo em que o bebê nasce, e da qual a gente não consegue mais lembrar nesse mesmo segundo.
Uma dor que não mata ninguém, apenas engrandece, fortalece. Porque quando a gente acha que não aguenta mais, acha que vai morrer, é porque DE VERDADE está bem no finalzinho.
E a recompensa é o que há de maior, de melhor na vida. Aquele olhar do bebê que acabamos de colocar no mundo é inesquecível, e esse prazer é insuperável.”
Publicado originalmente aqui http://mamiferas.blogspot.com.br/2009/03/sobre-dor-do-parto.html?m=1
Toque carinhoso

A importância do toque para o desenvolvimento saudável da criança.

O toque tem um papel fundamental na vida das pessoas. É através dele que muitas vezes podemos expressar o que estamos sentindo: quando fazemos carinho, quando batemos, quando abraçamos, etc. O contato de pele com pele tem a possibilidade de transmitir mensagens ao outro, sobre como estamos nos sentindo. Os neurotransmissores e nervos levam até o sistema nervoso central a “mensagem enviada” (através do toque) e este (o sistema nervoso central) modula, por meio dos próprios neurotransmissores e nervos e, das células imunitárias cutâneas, o estado da pele. Assim, segundo o dermatologista Azambuja “a pele é o órgão de transformação de estímulos físicos em comunicadores químicos e em estados psicológicos. (…) Um contato terno e amoroso na pele produz a sensação de apoio, consolo, companhia e presença amiga; um contato rude e agressivo faz a pessoa sentir-se rejeitada, desprezada, invadida e provoca-lhe reação de defesa ou raiva”(Azambuja, 2005).
Com base nisso aponta-se a importância do toque para o desenvolvimento global do bebê. Existem muitas pesquisas que apontam os benefícios adquiridos pr bebês que são massageados regularmente e ternamente. Estes ganham mais peso, demonstram um desenvolvimento neurológico melhor, tem menos cólicas e problemas respiratórios, por sentirem mais prazer e ficarem mais alegres tem um aumento na sua imunidade, tem um aumento na produção de hormônios de crescimento, tem menos angústia e um sono melhor, além de outras tantas vantagens. Há também toda a reverberação psicológica, causada nos bebês através do toque. Como para o bebê, no seu início de vida, seu mundo está limitado às suas necessidades corporais, a mãe deve lidar com ele em uma linguagem que este compreenda, assim, segundo Winnicott¹, “ela ama de um modo físico, proporciona contato, calor corporal, movimento e quietude de acordo com as necessidades do bebê” (Winnicott, 2000, p.237). Através disso é possível perceber a função essêncial que o toque terno e amoroso exerce na vida e no desenvolvimento do bebê. Este sente-se querido ou não em função do toque que recebe das pessoas que cuidam dele, e mais tarde, isso interferirá na sua visão de si mesmo, nas suas relações interpessoais, na sua auto estima, entre outras coisas. A pediatra e psicoterapeuta Eva Reich, filha de Wilhelm Reich, criou uma massagem para ajudar no desenvolvimento dos recém-nascidos, chamada de “O toque da borboleta”. Antes mesmo desta, já existia uma técnica milenar utilizada na Índia, chamada de Shantala, que foi trazida ao ocidente pelo obstetra francês Leboyer. Ambas as massagens, tem o objetivo de acalmar o bebê, além de reforçar o vínculo entre ele e sua mãe. O toque deve ser relaxante, prazeroso e agradável para ambos. O contato consiste em toques sutis e (geralmente) circulares no corpo do bebê. É importante atentar para a importância deste ato e deixar alguns preconceitos de lado. Mesmo com todos os estudos e orientações, muitos pesquisadores da atualidade ainda vêem a relação dos pais com seus filhos (no mundo ocidental de forma geral) sendo permeada pelo medo de que as crianças cresçam muito dependentes. Assim, muitos pais ainda pensam que pegar muito o bebê ou deixá-lo muito no colo pode, posteriormente levá-lo a ser uma criança manhosa e mimada. Em resposta a esse comportamento, os pesquisadores dizem que os pais estão no caminho errado: o contato físico e a segurança proporcionada por estes farão das crianças mais seguras no momento em que for necessário haver o afrouxamento dos laços entre elas e os pais, e mais capazes de formar relações maduras quando elas finalmente se tornarem adultas. 1-Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, desenvolveu um ponto de vista psicanalítico diferente do que se apoiava em sua época, a respeito do desenvolvimento dos bebês, e também uma outra forma de trabalhar com eles. Bibliografia AZAMBUJA, Roberto. 2005. Tocar a pele é estímulo vital – in Dermatologia.net. http://www.dermatologia.net/neo/base/psiquismo/poder_do_toque.htm WINNICOTT, D. W. Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000.

fonte: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=411

Amor parterno

‘Carinho’ pode aliviar a dor, diz pesquisa.

Um toque carinhoso pode ajudar a aliviar a dor, ajudar crianças em seu desenvolvimento e auxiliar em tratamentos para depressão, segundo uma pesquisa apresentada nesta semana no Festival de Ciências da Associação Britânica para o Avanço da Ciência, em Liverpool.
Segundo o neurocientista Francis McGlone, da Universidade de Liverpool, um sistema de fibras nervosas presentes na pele responde a toques carinhosos, do mesmo modo que os receptores de dor, e quando estimulado, pode, inclusive, diminuir a atividade nos nervos que transportam a sensação de dor.

O cientista e seus colegas das universidades de Uppsala e Gotemburgo, na Suécia, explicam que há três tipos principais de fibras nervosas na camada exterior da pele. Eles são divididos de acordo com a velocidade com que conduzem – como um fio – as atividades bioelétricas para o cérebro.

Dois desses tipos são chamados de fibras A, e são cobertos por uma camada de gordura (mielina) que atua como um isolamento em volta do fio e contribui para a alta velocidade de condução.

Mas o terceiro tipo, chamado de fibras C, não tem a camada de mielina e tem velocidade mais lenta. As fibras A são responsáveis pelo sinal quase instantâneo, que provoca uma reação por reflexo antes mesmo que o cérebro possa identificar o que houve.

As fibras C, da chamada “segunda dor”, são as que levam a sensação da dor mais profunda e duradoura ao cérebro.

Os cientistas descobriram que também há fibras do tipo C que respondem a estímulos de prazer. E quando elas são estimuladas, a atividade nas fibras condutoras de dor diminui.

Sensibilidade
Segundo a pesquisa, assim como com a dor, algumas partes do corpo são mais sensíveis ao toque do que outras, e a sensação de prazer proporcionada é diferente da obtida quando o carinho é aplicado a áreas sexuais.

Essas fibras levariam o sinal de prazer para a região do cérebro responsável por “recompensas”, e explicaria ainda por que as pessoas gostam de passar cremes, escovar os cabelos e até porque um abraço, ou mesmo a mão no ombro podem ser mais eficientes, no alívio da dor, do que palavras.

Para isolar os nervos responsáveis pelo prazer, os cientistas construíram um “estimulador de tato rotativo” – uma máquina de acariciar voluntários.

“Nós construímos um equipamento muito sofisticado, então, o estímulo (do tato) pode ser repetido bastante”, disse McGone.

“Nós acariciamos a pele (do antebraço, da canela e do rosto) com um pincel em diferentes velocidades e depois pedimos aos voluntários que dissessem o quanto gostaram de cada movimento.”

Ele também inseriu microeletrodos nos nervos da pele, para registrar os sinais nervosos enviados da pele para o cérebro.

Os cientistas concluíram que o carinho apontado como o mais prazeroso era também o que provocava maior resposta nervosa.

Nova dimensão
Os cientistas afirmam que as únicas regiões que não contam com essas fibras são as a palma da mão e a sola do pé, caso contrário, seria difícil o uso de ferramentas, ou mesmo uma caminhada.

A sensação de prazer acrescenta uma quarta dimensão aos sentidos clássicos atribuídos à pele, que incluem o toque, a sensação de temperatura (frio ou quente) e a dor/coceira.

A equipe agora quer estudar uma série de condições clínicas, como depressão e autismo, que sabidamente têm ligações com o tato – a maioria das crianças autistas não gosta de ser abraçada ou acariciada, e muitos pacientes de depressão demonstram sinais claros de falta de cuidado com o corpo.

Os cientistas acreditam até que a depressão possa ter origem em carência de cuidado maternal e experiências ainda na infância de falta de carinho físico e sugerem que o carinho pode ser usada para tratar dores crônicas.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/09/080912_toquedorprazer_ba.shtml

Toque, vínculo

Shantala, um toque de amor.

O maior desejo de toda mãe e de todo pai é que seu filho cresça capaz de ser feliz. Estudos em todas as culturas do mundo demonstram como o “vínculo mãe e bebê é fundamental para a formação de um adulto feliz, equilibrado, livre e criativo”. Por isso, neste período entre gravidez, nascimento e primeiros anos de vida, tudo deve estar a favor da formação deste vínculo. São muitos os momentos em que o vínculo pode ser estabelecido, mas há alguns mais significativos: através da gestação, do parto, da amamentação e do toque.

Quanto a este último, o toque, a massagem pode ajudar muito. É incalculável como pode ser valioso para você e para seu filho o simples contato de sua pele com a dele. Ao vivenciar seu processo de gravidez de forma consciente, o ser Mãe/Pai, poderá se tornar uma experiência mais rica, mais fácil e mais gostosa. E os pais terão um filho com vínculo fortalecido, o mais valioso presente que alguém pode desejar de seus pais.

Mas o que é vínculo? É a ligação que se estabelece entre a mãe e o bebê. Esta ligação é física, emocional e espiritual. Ela é natural e surge desde a concepção. Você não precisa fazer nenhum esforço, a mãe natureza já planejou tudo. Você só precisa deixar acontecer e fica atenta para as oportunidades de fortalecer este vínculo. A qualidade deste primeiro vínculo vai determinar, em grande parte, a forma como o bebê vai se relacionar com o mundo em toda a sua vida.

Esse é o papel do vínculo, fazer uma ponte entre o conhecido (a barriga da mãe) e o desconhecido (o mundo externo). Se esta ponte estiver bem construída, a passagem de uma situação para a outra é favorecida, o que influenciará profundamente a relação que a criança terá com todas as situações novas que encontrar em sua vida.

O vínculo é o “bem-estar” – na relação mãe-filho – que será vivido pelo resto da vida como a maneira de “estar-bem” no mundo – na relação filho-mundo. O bebê que tem o vínculo fortalecido é feliz, apto para crescer independente e carinhoso. Ele buscará sua satisfação com confiança, aprendendo gradativamente a suportar as frustrações. Estará, com certeza, mais predisposto ao equilíbrio.

Quanto mais forte for o vínculo, mais livre o indivíduo se sente: ele se solta numa situação nova, aprende e se desenvolve a partir das experiências.

O vínculo fraco faz o indivíduo ficar com receio do novo: ele fica preso às experiências passadas e tem dificuldade de se relacionar com pessoas, lugares e situações desconhecidas.
A comunicação por meio do toque é um dos mais poderosos meios de criar relacionamentos humanos. Para o relacionamento mãe e filho, o toque tem importância vital, por que oferece possibilidades de fortalecer o vínculo desde o início da gestação, ajudando no desenvolvimento físico e emocional do bebê.

A sensibilidade ao toque, claramente presente 7 semanas e meia após a concepção, progride regularmente até que, por volta da 17ª semana, quase todo o corpo do bebê reage ao contato. Após o nascimento, o toque torna-se mais valioso ainda, por que o bebê precisa de ajuda para se adequar ao novo ambiente, tão diferente da barriga da mamãe.

Este é um dos grandes benefícios do tocar. Ao envolver o bebê nos braços, no peito, ao dar-lhe apoio e contato, a mãe estará recriando as sensações de conforto e segurança vividas no útero, facilitando sua transição para as novas condições de vida. Segundo estudos e pesquisas da University of Miami, Medical School e da Duke University Madical School, os bebês massageados dormem melhor, ganham mais peso, choram menos, ficam mais ativos e alertas, tornam-se mais conscientes do que os rodeia, toleram melhor os ruídos e ficam mais ligados aos pais.

Uma das mais surpreendentes descobertas é o aumento da imunidade às doenças em crianças que foram tocadas e massageadas por sua mãe. A massagem promove ainda o desenvolvimento do potencial motor, permitindo maior flexibilidade e tonificação dos músculos da pele. A criança massageada é mais descontraída, porque seu organismo exerce suas funções de forma mais equilibrada.

A massagem indicada para os bebês é a Shantala, técnica essa usada há muito tempo na Ìndia. Dela tomamos conhecimento através do Dr. Leboyer, que observou em Calcutá uma mãe massageando seu bebê. Encantado com a beleza e a força do momento, batizou a seqüência de movimentos com o nome daquela mulher: Shantala.

A massagem, hoje, comprovado cientificamente, promove a ampliação da respiração, dá noção de limites corporais, fortalece os músculos e articulações, preparando o bebê para engatinhar e andar. Alivia as tensões entre vértebras, ocasionadas pelo fato de o bebê ficar muito tempo deitado. Proporciona equilíbrio, harmonia e relaxamento para a mãe e o bebê. Antes de ser uma técnica, Shantala é uma arte. É a arte de dar amor.

Maridalva Machado Peixoto Konrad – Massoterapeuta

Amamentação

Dicas para o sucesso na amamentação

Amamentar é tudo de bom. A lista de benefícios é enorme. Nem precisamos discutir sobre isso, certo?

As pesquisas mais recentes mostram que 98% das mães começam a amamentar seus bebês, mas apenas 39% conseguem manter a amamentação exclusiva durante os 6 meses, conforme recomendação do Ministério da Saúde e OMS.

Os motivos são muitos e vão desde a falta de preparo de profissionais da saúde para orientar as mães, passando pela ação da indústria, a introdução de bicos artificiais até a falta de confiança da mãe no seu corpo.

A natureza projetou o nosso corpo com as condições perfeitas para amamentar, mas a sociedade está aí, no nosso pé, dizendo que nosso bebê está com fome e precisamos dar fórmulas para satisfazê-la. Além disso, como eu já disse aqui, amamentar é um processo de aprendizado e muitas surpresas com as quais nem sempre sabemos lidar.

Por isso, fiz aqui uma listinha de “itens” importantes para que a amamentação seja bem sucedida, exclusiva durante 6 meses e complementada com outros alimentos até pelo menos 2 anos, como preconizam a OMS e o Ministério da saúde com base em muito estudo e muita pesquisa.

1 – INFORMAÇÃO DE QUALIDADE

Se você está lendo esse texto, imagino que já esteja em busca de informação. Então, meio caminho andado! Informação é sempre o melhor caminho!

Minha dica aqui é para que você busque informação nos lugares certos. Leia livros técnicos e referenciados, procuro instituições sérias, acompanhe sites confiáveis de profissionais capacitados. Muito embora o incentivo ao aleitamento tenha aumentado muito, ainda é preciso tomar cuidado com publicações de revistas, blogs de produtos e marcas, blogs maternos sem fundamentação cientifica, baseados em experiências pessoais e achismos que ainda apresentam muito desserviço à amamentação.

Nesse link você baixa uma cartilha bem bacana produzida pelo SENAC-SP.

Na dúvida, procure um banco de leite ou contate uma consultora de amamentação que, com certeza, estará mais preparada que muito profissional de saúde pra te orientar e tirar suas dúvidas.

2 – PEGA CORRETA

Apesar de a amamentação ser um processo natural, precisa ser aprendido. A gente acha que o bebê vai pegar o peito, o leite vai sair certinho e pronto, deu tudo certo! Na maioria dos casos não é assim que acontece. E eu não falo isso pra te assustar, falo isso pra que você esteja preparada e saiba o que fazer na hora de amamentar.

A pega correta vai garantir que o bebê mame todo o leite necessário para satisfazer a fome e ter energia até a próxima mamada e ainda vai evitar fissuras e dor. Mas que diacho é essa tal de “PEGA CORRETA”?. Uma boa pega acontece quando a mãe está confortável, o bebê está bem posicionado, abre bem a boca e consegue abocanhar toda ou a maior parte da aréola, que é a parte escura ao redor do bico, fica com os lábios virados pra fora (boquinha de peixe), o queixo toca o seio, o nariz fica livre, a bochecha fica redondinha, a mamada não tem barulho de estalos (às vezes o bebê dá uma gemidinha e está tudo bem) e você consegue perceber a orelhinha e a musculatura próxima se movimentando quando o bebê engole o leite.

E como faz pra conseguir isso? Respire, fique tranquila e confortável. O corpo do bebê deve estar de frente pra você. A cabeça deve estar alinhada com a coluna. Segure seu seio com a mão formando um “C”, com o dedo polegar em cima e o indicador e o médio embaixo, bem próximos ao limite da aréola. Toque o nariz do bebê como bico do seio. Isso vai estimular o reflexo de busca e fazer com que ele procure seu seio, levantando a cabeça e abrindo a boca. Faça isso quantas vezes forem necessárias para que ele abra BEM a boca e, quando isso acontecer, pressione (só um pouquinho) a aréola e coloque no fundo da boca do bebê. Se precisar, puxe um pouquinho o queixo do bebê pra baixo.

No começo é difícil. A aréola é grande. A boca do bebê é pequena. Você precisa ter PACIÊNCIA e PERSISTIR. Às vezes escapa e você tem que começar tudo de novo. Às vezes o bebê muda a pega e você tem que começar de novo também. Dá trabalho, mas vale a pena.

Entenda no vídeo abaixo um pouco mais sobre a pega correta.

3 – LIVRE DEMANDA

Nosso corpo é tão incrível que adapta a nossa produção de leite em quantidade e “qualidade” às necessidade do bebê. Não é tecnologia de ponta?

E como isso acontece? Com as alterações hormonais que vão ocorrendo no nosso corpo com o passar do tempo e com a “mensagem” que o nosso bebê passa ao nosso corpo por meio da frequência e duração das mamadas.

Por isso é tão importante amamentar em livre demanda. O corpo do bebê sabe exatamente do que ele precisa. No útero, o bebê recebe alimento constantemente, sem horários pré-estabelecidos e é assim que ele está acostumado a se alimentar. Algumas vezes, ele tem só sede e precisa mamar só um pouquinho para saciá-la. Muitas vezes ele está passando por um pico de crescimento e precisa mamar muito mais para estimular a produção de leite e armazenar mais energia. Outras vezes, ele está adoecendo e precisa de um aporte maior de líquido e anti-corpos, por isso mama mais. Ainda pode acontecer de ele não ter mamado suficiente na mamada anterior e precisar mamar em um curto intervalo de tempo.

E o que é, então, a livre demanda? É amamentar sem rigidez de horário. Abandonar aquela ideia de amamentar de três em três horas durante “x” minutos (nem os pediatras conseguem chegar num consenso com relação a essa duração) e amamentar sempre que o bebê solicita. Precisamos lembrar que o bebê não vem com relógio, que a necessidade de mamar, nem sempre é fome. A livre demanda é especialmente importante nos três primeiros meses, quando a amamentação está se estabelecendo.

A necessidade do bebê vai mudando. No início, tudo é mais conturbado e com o passar do tempo, mãe, bebê e pai vão se ajustando e regulando o ritmo das mamadas, horários de sono e rotina.

Mas, Carla! Isso significa que toda vez que o bebê chorar eu devo oferecer o peito? Não existe nenhum problema nisso. Mas é válido observar o bebê e tentar perceber o motivo do choro. No início é bem mais difícil, mas com o tempo a gente vai entendendo as demandas do filho e consegue aconchegar melhor nas diversas situações sem, necessariamente, dar o peito. Mas se você perceber que é peito que ele quer, de sem restrições e sem medo de acostumar mal. Filho nenhum mama pra sempre. Eu, pelo menos, nunca soube. Permita que o bebê mame tempo suficiente para esvaziar a mama e ofereça a outra. Se ele aceitar, é porque precisa de mais leite.

4 – COLO, MUITO COLO!

Estar com o bebê no colo, em contato pele a pele, entramos em sintonia com o bebê, ajudamos a manter a temperatura corporal, o ritmo respiratório e, principalmente, ficamos muito mais conectadas ao nosso bebê, às suas reações e necessidades.

Carregar o bebê nos ajuda a entender mais rapidamente suas demandas. Além disso, ficamos muito mais disponíveis e permitimos que o bebê procure as mamas sempre que sentir necessidade.

5 -NADA DE BICOS ARTIFICIAIS

Vivemos em meio a uma cultura que associa, automaticamente, bebês a chupetas e mamadeiras, enquanto a natureza, com sua sabedoria, projetou o seio especialmente para a sucção do bebê.

Sugar o seio é totalmente diferente de sugar a mamadeira ou a chupeta. Quando damos bicos artificiais aos nossos filhos, atrapalhamos todo o processo. Ao provocar a confusão de bicos, atrapalhamos a pega do bebê. A pega incorreta ocasiona fissuras, que levam à dor. Também atrapalha a eficácia da sucção, o que leva ao baixo ganho de peso e, tudo isso, ao desmame precoce.

A chupeta ou complementação com mamadeira também interfere na livre demanda e, consequentemente, na regulação da produção de leite, que leva ao baixo ganho de peso e ao desmame precoce.

Além disso, sugar bicos artificiais leva a disfunções no desenvolvimento da musculatura oro-facial, provocando respiração bucal, mordida cruzada, protusão dental, disfunção de ATM e muito mais e ainda aumenta o risco de contaminações.

Na categoria “bicos artificiais” temos também o bico de silicone, que aparece como um inocente facilitador da amamentação, mas que interfere no esvaziamento da mama e na pega o que ocasiona diminuição na produção de leite e tudo o que já vimos sobre pega.

Esse assunto é tão importante que temos, hoje, no Brasil, uma regulamentação para comercialização e anúncio de bicos artificiais.

6 – ACREDITE!

O sucesso da amamentação está MUITO MAIS envolvido com a nossa mente do que com o nosso corpo.

Como eu disse anteriormente, a natureza é sábia e, assim como todos os outros sistemas do nosso corpo, a chance de funcionar direitinho é muito maior do que a chance de dar errado. Mas quando se trata de amamentar, temos uma tendência estranha de achar que estamos TODOS naquele minoria improvável.

O processo de produção e ejeção do leite é prioritariamente hormonal e os hormônios envolvidos tem tudo a ver com as nossas emoções. Por isso, o primeiro passo para minar o aleitamento é duvidar de si mesma.

Já disse e vou repetir, o número de mães que pode amamentar é próximo de 100%, não tem porque duvidar. Acredite, relaxe, fique tranquila, confie em você e no seu corpo, na sabedoria do seu bebê, siga os passos anteriores tudo vai dar certo. 

7 – REDE DE APOIO

Sabemos todos (ou quase) que o pós-parto, ou puerpério, não é um período fácil. Hormônios a milhão, uma pessoa nova (ou mais) pra gente entender, a gente mesma (só que nova) pra gente tentar entender, uma rotina totalmente nova, novas nuances no relacionamento (ou a falta de um), uma lista infinita de coisas de que gente acaba tendo que abdicar (inclusive e principalmente horas de sono), um cansaço sem fim, muitas vezes, solidão.

É muito difícil a gente conseguir passar por isso sozinha. Por isso é ESSENCIAL contar com uma rede de apoio. Cerque-se de pessoas com quem você se afina, jogue limpo, peça ajuda, aceite ajuda. Para se livrar dos pitacos (falei deles aqui) informe-se, empodere-se e saiba impor limites. Você não precisa abrir mão das suas escolhas para receber ajuda.

Mande esse texto e outros que falem da importância da amamentação para sua rede. Faça com que eles entendam a importância de amamentar. Se as pessoas próximas forem aliadas, apoiadoras, as chances de sucesso do aleitamento aumentam muito.

Monte uma força tarefa de amigos para te auxiliar com a organização e limpeza da casa, compras, comida (procure ter sempre preparada e congelada).

Faça do pai seu aliado. Divida com ele os cuidados com o bebê, com a casa, com a rotina do dia a dia. A única coisa que o pai não pode fazer é amamentar. Todo o resto pode e deve contar com a participação dele. Lembre, pai não ajuda, pai participa, faz a parte dele.

Durma quando seu bebê dormir. Durma quando o pai estiver com o bebê. Aproveite pra tomar um banho relaxante, passar um creme. Vá dar uma volta na quadra, comprar um pão na padaria. Tudo isso pode parecer uma bobagem, mas faz toda a diferença pra gente se sentir gente de novo quando está nessa fase inicial.

Mesmo seguindo tudo isso, ainda haverá momentos em que você se sentirá sozinha. Mas assim, você estará mais forte e mais disponível para a amamentação, que exige muita dedicação no início.

8 – GRUPOS DE APOIO

Outro fator importantíssimo para aumentar as chances de sucesso da amamentação é participar de grupos de apoio.

Neles, você encontra uma pessoa com conhecimento para te orientar e acolher, mas, muito mais importante que isso, encontra outras mães que estão passando por outras situação e/ou situações parecidas. Essa troca te proporciona alívio. Com ela você entende lá no íntimo que está tudo normal. Sente-se melhor porque sente-se mais “normal”. E acaba conhecendo outras situações que, se acontecerem com você, já estará preparada.

*Logo em breve deixarei aqui no blog uma lista de grupos de apoio pelo Brasil afora. Mas se quiser indicações antes disso, pode me escrever que eu te respondo.

Se você chegou até aqui, parabéns pelo empenho! Estar bem informada é sempre o melhor caminho contra as armadilhas que encontramos pelo caminho da amamentação.

Se você ainda estiver insegura, não hesite em pedir ajuda. Por ser a alguém próximo, pode ser por aqui. Acredite, temos uma rede incrível de mulheres dispostas a te ajudar.

Toque carinhoso Shantala

TOQUE DE 5 SEGUNDOS PODE COMUNICAR UMA EMOÇÃO

Esse artigo publicado em 12 de agosto de 2009 no Terra notícias e mais outros tantos lugares, mostra como o toque é um recurso importante de comunicação.

E por mais esse motivo, tocar nossos bebês é muito importante.
Através do toque, o bebê percebe todo nosso amor, transmitindo segurança e fortalecendo sua auto estima.

Toque de 5 segundos pode comunicar uma emoção, diz estudo

Pesquisadores descobriram evidências experimentais de que um toque pode significar mil palavras. Ou seja, um rápido contato físico pode expressar emoções – de modo silencioso, sutil e inequívoco. Cientistas liderados por Matthew J. Hertenstein, professor associado de psicologia da Universidade DePauw, recrutaram 248 alunos, que tocariam ou seriam tocados por um parceiro que já conheciam anteriormente tentando comunicar uma emoção específica: raiva, medo, felicidade, tristeza, repulsa, amor, gratidão ou compaixão.

A pessoa tocada era vendada e desconhecia o sexo do parceiro, instruído a tentar expressar uma das oito emoções através do toque, com ambos os participantes permanecendo em silêncio. Entre os participantes, 44 mulheres e 31 homens foram tocados por uma parceira, enquanto 25 homens e 24 mulheres foram tocados por um parceiro.

Depois, cada pessoa tocada recebia uma lista de oito emoções e escolhia aquela expressada pelo toque. Havia também uma nona escolha, “nenhum dos termos estão corretos”, para eliminar a possibilidade de forçar uma escolha de emoção quando nenhuma delas de fato havia sido sentida. Os parceiros foram instruídos a tocar em qualquer parte adequada do corpo e escolheram variadamente tocar cabeça, rosto, braços, mãos, ombros, tronco e costas.

O entendimento correto do toque ficou entre 50% e 78%, muito maior do que os 11% atribuídos ao acaso e comparável a índices vistos em estudos de emoção verbal e facial.

Os pesquisadores também gravaram um vocabulário complexo do toque – uma sacudida, uma esfregada, uma carícia ou um aperto, pequenas mudanças na quantidade de pressão aplicada, variações na brusquidão do toque, mudanças no ritmo com que os dedos se moviam pela pele e diferenças no local e duração do contato.

Tiffany Field, diretora do Instituto de Pesquisa do Toque da Universidade de Miami, ficou impressionada com o trabalho. “Essa informação é muito interessante e acrescenta algo à ciência da emoção e da comunicação.” Mas, ela continuou: “É improvável que usemos o toque como um meio de expressão com estranhos. Ele é reservado a interações íntimas.” Field não esteve envolvida no estudo, que aparecerá na edição de agosto do periódico Emotion.

Os participantes consistentemente escolheram certos tipos de toque para indicar emoções específicas. Várias vezes, ele expressaram medo, por exemplo, abraçando e apertando a pessoa sem se moverem, enquanto a compaixão exigiu abraço, carícia e esfregar das mãos.

Homens e mulheres foram igualmente competentes ao interpretar o toque, mas usaram diferentes ações para comunicar as emoções. Os homens raramente tocaram no rosto, e quando o fizeram, tinham a intenção de expressar raiva ou repulsa por mulheres e compaixão por outros homens. As mulheres, por outro lado, tocaram no rosto frequentemente para expressar raiva, tristeza e repulsa a ambos os sexos, e para comunicar medo e felicidade aos homens.

As razões evolucionárias para tal sistema de comunicação são desconhecidas, mas os autores sugerem que elas podem ter a mesma origem dos rituais sociais de cuidados com a aparência de outros primatas. Os autores reconhecem que seus dados foram limitados a uma amostra de americanos jovens e que diferenças culturais podem ter um papel importante.

Mesmo assim, Hertenstein disse: “Essas descobertas têm fortes implicações para o poder do toque. A maioria dos toques durou apenas cinco segundos, mas, nesses momentos fugazes, somos capazes de comunicar emoções distintas, assim como fazemos através do rosto. Esse é um sofisticado sistema distintivo de sinais que não conhecíamos anteriormente.”

Tradução: Amy Traduções
The New York Times

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3918188-EI8147,00-Toque+de+segundos+pode+comunicar+uma+emocao+diz+estudo.htmlToque carinhoso Shantala

Massagem infantil

Shantala, quando devo fazer?

Muita gente me pergunta quando deve começar a praticar a Shantala e até que idade pode ou deve continuar fazendo a massagem.

Recomenda-se iniciar a Shantala depois que o bebê completa um mês, pois nessa idade ele já regula melhor a temperatura corporal e já passa mais tempo acordado entre uma mamada e outra. Além disso, mãe e bebê já estão mais adaptados à nova vida nesse momento.
Porém, seria um grande desperdício o bebê passar um mês todo sem receber algum tipo de toque carinhoso depois de uma vida toda sendo tocado no corpo inteirinho dentro do útero.
Aproveite cada minuto em que o bebê está tranquilo para tocar seu corpo leve e intuitivamente no início da vida. 
E tem um limite? Não. Você pode massagear o seu bebê enquanto os dois sentirem prazer nessa troca. O ideal é massagear o bebê diariamente pelo menos até os seis meses. É altamente recomendado que estenda essa prática até os dois anos.
A medida que os bebês vão crescendo, é normal que, mesmo as famílias mais disciplinadas, acabem abandonando o hábito e a rotina da Shantala. O bebê fica mais ativo, nossa rotina vai ficando cada vez mais cheia, mas é importante lembrar do valor e dos benefícios do toque afetuoso, do poder da cura através das mãos, independente da idade.